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Uso excessivo de telas: Como evitar prejuízos para a saúde ocular

23/07/2025

A tecnologia é parte do dia a dia e leva as pessoas a utilizarem, por cada vez mais tempo, dispositivos eletrônicos como smartphones, tablets, computadores, TVs. Mas especialistas alertam que a exposição excessiva às telas dos aparelhos traz consequências para a saúde visual de adultos e de crianças e adolescentes.

COMO AS TELAS AFETAM A VISÃO

Segundo a Dra. Anna Paula Lafetá, oftalmologista credenciada à Copass Saúde, tem sido comum no consultório a queixa de problemas relacionados ao excesso de telas.  Um dos principais é a fadiga ocular digital, também chamada de síndrome da visão de computador, que causa cansaço visual, dor de cabeça, embaçamento e sensação de areia nos olhos. Isso ocorre porque ao manter o olhar fixo na tela, a frequência de piscadas diminui em cerca de 60%, o que provoca ressecamento ocular.Essa falta de lubrificação também pode evoluir para a síndrome do olho seco, uma condição que gera ardência, vermelhidão e desconforto.

Outro efeito do uso prolongado de telas é o espasmo de acomodação, que acontece quando se olha por muito tempo de perto, como no celular. Isso afeta o foco, tornando a visão embaçada ao tentar enxergar de longe.

Além disso, a Dra. Anna Paula explica que a exposição às telas em excesso, principalmente à noite, interfere no ritmo circadiano. A luz azul emitida pelos dispositivos inibe a produção de melatonina, dificultando o sono. Esse distúrbio também prejudica a recuperação visual que deve ocorrer enquanto a pessoa dorme.

CRIANÇAS E ADOLESCENTES SÃO MAIS AFETADOS

Quando se trata dos mais jovens, os prejuízos são ainda maiores. De acordo com a oftamopediatra Melissa Papazoglu, diretora clínica do Centro Oftalmológico de Minas Gerais, credenciado à Copass, crianças, especialmente antes dos 7 anos, e adolescentes ainda estão com os olhos em formação. A exposição prolongada a telas pode prejudicar o desenvolvimento normal da visão, contribuindo para o surgimento de ametropias (como a miopia, hipermetropia e astigmatismo), estrabismos, olho seco.

É importante estar atento ao risco aumentado para miopia, afirma a Dra. Melissa. “Quando a criança ou adolescente passa muito tempo em atividades que exigem o olhar de perto – como as telas -, sem pausas e com pouca exposição ao ar livre, o globo ocular, ainda em desenvolvimento, tende a se alongar, elevando o grau de miopia.” A exposição à luz natural é um fator relevante na prevenção da miopia, pois estimula a liberação de dopamina na retina, o que inibe o alongamento do globo ocular.

A oftalmopediatra também ressalta que, assim como os adultos, as crianças piscam menos enquanto estão em frente às telas e podem desenvolver a síndrome da visão de computador, porém, são menos conscientes dos sinais de fadiga ocular. Além disso, os pequenos, dificilmente, fazem pausas voluntárias e tendem a manter as telas mais próximas dos olhos, o que aumenta a exigência do foco visual.

Para além dos problemas oculares causados pelo uso excessivo das telas pelas crianças e adolescentes, a médica alerta para os riscos de distúrbios do comportamento e do sono e para os impactos posturais (pescoço, costas, ombros).

TEMPO DE TELA SEGURO E REGRA 20-20-20

Segundo a oftalmopediatra, a orientação da Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP) e Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) para uso de telas, varia conforme a faixa etária:

0 a 2 anos: nenhuma exposição a telas, exceto videochamadas supervisionadas;
2 a 5 anos: máximo de 1 hora por dia, com conteúdo educativo e supervisão de responsável;
6 a 10 anos: até 1 a 1,5 hora/dia, sob supervisão, com equilíbrio entre atividades com e sem tela; 
11 a 18 anos: até 2 a 2,5 horas/dia, com moderação, pausas e atividades ao ar livre.

Já em relação aos adultos, a oftalmologista Anna Paula afirma que, como o tempo de exposição às telas varia de acordo com a necessidade e propósito de uso, é importante observar a regra 20-20-20, que também vale para crianças e adolescentes. A regra estabelece que a cada 20 minutos ​​olhando para uma tela, a pessoa deve desviar o olhar para algo a 20 pés  de distância (aproximadamente 6 metros) e fixar a visão por 20 segundos. Isso ajuda a relaxar a musculatura ocular e reduzir o espasmo de acomodação.

OUTRAS DICAS PARA A PREVENÇÃO DOS PROBLEMAS OCULARES

Para os responsáveis por crianças e adolescentes, a oftalmopediatra, Dra. Melissa Papazoglu, recomenda:

  • Limitar o tempo de tela, seguindo a orientação para cada faixa etária;
  • Manter o ambiente iluminado e ajustar brilho e contraste das telas para que não fiquem mais intensos do que o ambiente, evitando uso em lugares escuros;
  • Cuidar para que haja uma distância segura em relação ao dispositivo (geralmente 30 a 50 cm), com a tela ligeiramente abaixo do nível dos olhos;
  • Preferir telas maiores, como TV e computador, que podem ser assistidas a distâncias mais seguras, em vez de celulares e tablets;
  • Incentivar o piscamento consciente, lembrando a criança da necessidade de piscar para hidratar os olhos;
  • Orientar para que sejam feitas pausas frequentes, aplicando a regra 20-20-20;
  • Promover atividades ao ar livre por, pelo menos, 2 horas diárias, com exposição solar indireta;
  • Evitar telas durante as refeições e, pelo menos, 2 horas antes de dormir;
  • Procurar o oftalmopediatra diante de qualquer sintoma ou desconforto.

Para os adultos, a oftalmologista, Dra. Anna Paula Lafetá, complementa e reforça as recomendações:

  • Praticar a regra 20-20-20;
  • Se o trabalho exigir o uso constante de tela, fazer pausas frequentes e programar intervalos de descanso;
  • Lembrar de piscar mais vezes diante das telas para espalhar e renovar o filme lacrimal;
  • Usar colírios lubrificantes, de preferência, sem conservantes, para aliviar a secura e sensação de ardor;
  • Manter uma boa ergonomia, com a tela um pouco abaixo do nível dos olhos e a cerca de 50 a 70 cm de distância;
  • Preferir luz ambiente, difusa e suave;
  • Limitar o uso de tela noturna, principalmente, 2 horas antes de dormir;
  • Fazer exames oftalmológicos regulares para detectar alterações refracionais, miopia, astigmatismo, hipermetropia, olho seco, problemas de motilidade ocular, de acomodação, entre outros.

Cuidado com o filtro azul

A Dra. Anna Paula Lafetá recomenda evitar o uso indiscriminado de filtro azul para proteção visual. Segundo ela, nem a Sociedade Brasileira de Oftalmologia, nem a American Academy of Ophthalmology recomendam o filtro azul por não haver evidências científicas dos benefícios desse filtro na prevenção dos problemas oculares

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