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Um novo olhar sobre a esclerose múltipla

26/08/2025

Grandes avanços no tratamento e cuidado integral constroem uma nova história para quem vive com a doença.

A esclerose múltipla é uma doença inflamatória autoimune que afeta o sistema nervoso central, provocando inflamação na bainha de mielina, que reveste o neurônio. Na maior parte das vezes, a doença se manifesta por períodos de crise, chamados surtos, cujos sintomas variam conforme a intensidade e a área acometida pela inflamação.

Antes, a referência sobre esclerose múltipla era de uma condição crônica, progressiva e altamente incapacitante. Mas hoje, segundo a Dra. Maíra Cardoso Aspahan, neurologista do Hospital Orizonti, a visão sobre a doença mudou completamente porque existem tratamentos de alta eficácia que conseguem controlar a evolução desde o início dos sintomas. “Com o tratamento adequado, é possível estabilizar a progressão da doença em grande parte dos pacientes. Não é para todos os casos, mas é um grande avanço.”

COMO ACONTECE A ESCLEROSE MÚLTIPLA

A esclerose múltipla é mais prevalente em pessoas jovens, entre 20 e 40 anos de idade, com incidência maior em mulheres. É uma doença multifatorial, causada pela combinação de predisposição genética e fatores ambientais. Ter histórico familiar aumenta o risco, mas não é suficiente para desenvolver a doença, pois as condições ambientais funcionam como gatilhos, explica a neurologista. Entre os fatores ambientais destacam-se algumas infecções virais, obesidade, tabagismo, deficiência frequente de vitamina D, entre outros.

É considerado surto quando o paciente é acometido por um sintoma que dure, pelo menos, 24 horas. A doença pode se manifestar de formas diferentes:

. Remitente-recorrente –  é o tipo mais comum, marcado pela ocorrência de surtos, que regridem completa ou parcialmente e são seguidos por períodos de estabilidade.

. Secundária progressiva – o paciente começa com surtos e remissões completas ou parciais, mas depois de um tempo de doença, os surtos cessam e os sintomas vão piorando aos poucos.

. Primariamente progressiva – o paciente não tem surtos e os sintomas vão progredindo lentamente. É um tipo mais raro, com tratamentos mais restritos.

SINTOMAS E DIAGNÓSTICO DA ESCLEROSA MÚLTIPLA

Os sintomas mais comuns da esclerose múltipla incluem formigamento, dormência ou fraqueza em partes do corpo, falta de coordenação motora, visão embaçada ou dupla, alterações no controle urinário e outros. Há ainda sintomas menos visíveis, como fadiga, falta de energia e intolerância ao calor. Também é mais frequente a presença de ansiedade e depressão em pessoas com a doença.

De acordo com a Dra. Maíra, na maioria dos casos, o diagnóstico começa a partir de um dos sintomas, quando há suspeita de surto. Já em algumas situações, através de uma ressonância magnética indicada por outro motivo, pode-se identificar lesões características da esclerose múltipla em pacientes assintomáticos (síndrome radiológica isolada).  De qualquer forma, o diagnóstico da esclerose múltipla não depende de um único exame. Ele é feito a partir da combinação de sinais clínicos, análise de imagem, além de outros indicadores.

Felizmente, segunda a médica, tem sido mais comum o diagnóstico na fase inicial, ampliando as possibilidades de tratamento.  É importante ficar alerta para sintomas que durem mais de 24 horas, pois podem ser um primeiro sinal.

A EVOLUÇÃO DO TRATAMENTO DA ESCLEROSE MÚLTIPLA

A utilização dos medicamentos chamados de “modificadores de doença” transformou o tratamento da esclerose múltipla, explica a neurologista. Antes, a doença evoluía com acúmulo de incapacidades para o paciente. Hoje, as novas terapias, disponíveis nas redes pública e privada, permitem controlar a progressão da doença com bastante sucesso.

É fundamental que o paciente tenha acompanhamento periódico e o tratamento de alta eficácia. O controle da doença se baseia na avaliação clínica, exames de imagem e vários outros parâmetros que vão definindo o curso do tratamento.

Para a Dra. Maíra, “é gratificante e prazeroso acompanhar o resultado favorável dos pacientes. Com o tratamento, as mulheres, por exemplo, podem fazer planos, estudar, trabalhar, engravidar, não ter restrições de parto, amamentar. É emocionante ver como a evolução dos tratamentos mudou a história da doença.”

COMO É FEITO O TRATAMENTO DA ESCLEROSE MÚLTIPLA

O tratamento da esclerose múltipla é individualizado, de acordo com as condições de cada paciente. Segundo a neurologista, a tendência atual é, sempre que possível, iniciar com terapias de alta eficácia desde o diagnóstico para alcançar melhores resultados.

No entanto, há quadros graves ou antigos, com sequelas já instaladas, em que algumas perdas não podem ser revertidas. As terapias, nesses casos, podem prevenir novos surtos e déficits, além de melhorar a qualidade de vida com apoio de uma equipe multidisciplinar.

É ampla a variedade de opções terapêuticas que são, em geral, bem toleradas: medicações orais, injetáveis subcutâneas ou endovenosas, com diferentes frequências, desde uso diário até anual. A escolha do tratamento segue protocolos específicos, com avaliação dos resultados e possibilidade de ajustes conforme a resposta e a tolerância do paciente.

CUIDADO INTEGRAL

“Os avanços nos medicamentos para esclerose múltipla são notáveis, mas não dá para transferir para o remédio toda a responsabilidade pelo tratamento”, friza a médica. Sem um cuidado integral com o corpo e a mente, o tratamento perde força. Dessa forma, sono, alimentação, exercício físico e equilíbrio emocional potencializam os resultados.

A inflamação causada por doenças autoimunes, como a esclerose múltipla, é afetada por diversas questões ligadas ao estilo de vida. Por isso, o acompanhamento do paciente deve olhar não só para a doença, mas para o todo. Assim, o apoio de uma equipe multidisciplinar faz muita diferença. Quando o paciente é bem amparado e se cuida em todos os aspectos, pode levar uma vida ativa e com qualidade, ressalta a Dra. Maíra.

Embora não exista prevenção específica, manter hábitos saudáveis — como boa alimentação, sono regular, atividade física e não fumar — pode reduzir o risco de desenvolver várias doenças autoimunes, incluindo a esclerose múltipla.

Esse conteúdo foi produzido por meio do convênio Saúde em Dia, uma parceria entre Copass Saúde e GNSS – Gerência de Saúde e Segurança do Trabalho da Copasa.

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