Tabagismo: as várias faces do mesmo mal
Não existe forma segura de fumar: toda forma de tabagismo causa danos à saúde. Compreender como o tabaco afeta o organismo é fundamental para evitar esse vício ou dar o primeiro passo para abandoná-lo de vez.
Existem diversas formas de consumo do tabaco, porém não há uma forma segura. Cigarro industrializado, cigarro de palha, charuto, narguilé, cigarros eletrônicos e outros tipos ainda fazem parte dos hábitos de muita gente, mesmo diante dos alertas sobre os riscos para a saúde. O tabagismo é uma das principais causas evitáveis de doenças e mortes no mundo. Ele está diretamente ligado a mais de 50 doenças que afetam não só os pulmões, mas o corpo todo.
Entre os principais males provocados pelo tabaco estão cânceres de pulmão, boca, garganta, bexiga e vários outros, doenças do coração, como infarto e arritmias, doenças pulmonares, como enfisema e bronquite crônica, acidente vascular cerebral (AVC), problemas de fertilidade, impotência sexual, envelhecimento precoce da pele e muito mais.
De acordo com o Dr. Caique Menezes Dutra, pneumologista do Hospital Orizonti, a forma como o tabaco é consumido – seja fumado, vaporizado, mastigado etc. – pode mudar o tipo de dano, mas todas são prejudiciais. Algumas podem até parecer “mais naturais”, como o cigarro de palha, mas isso não significa que sejam menos perigosas.
DIFERENÇAS E RISCOS
O pneumologista destaca as principais substâncias, malefícios e peculiaridades das formas mais usuais de consumo do tabaco:
Cigarro industrializado – é o mais comum, altamente viciante e um dos principais causadores de câncer de pulmão. Contém cerca de 7 mil substâncias químicas, sendo mais de 70 cancerígenas.
Cigarro de palha – é um mito a ideia de optar por esta forma de consumo por ser mais natural, pois ela libera maior quantidade de monóxido de carbono e alcatrão e é ainda mais tóxica por não passar por filtros, como o cigarro industrializado. Além disso, muitos adeptos tragam o cigarro de palha mais profundamente, o que agrava os danos ao pulmão.
Charuto – tem maiores quantidades de nicotina e alcatrão que o cigarro. Mesmo sendo comum o hábito de apenas “puxar” pela boca, sem tragar, isso já é suficiente para causar câncer de boca, garganta e laringe.
Narguilé – contém nicotina, monóxido de carbono, metais pesados e outras toxinas. A água utilizada no consumo não filtra as substâncias tóxicas, como muita gente pensa. Uma sessão de narguilé de 1 hora pode equivaler ao consumo de 100 cigarros comuns.
NÃO SE ENGANE COM O CIGARRO ELETRÔNICO (VAPE)
Apesar da propaganda de que o cigarro eletrônico é menos prejudicial à saúde, ele contém nicotina em altas doses e outras substâncias químicas que causam inflamações e danos sérios ao pulmão, como a chamada lesão pulmonar associada ao uso de vape (EVALI, sigla em inglês), já descrita em vários casos graves, afirma o Dr. Caique.
Além disso, o cigarro eletrônico vicia fortemente, até mais que o cigarro comum, principalmente entre os jovens, onde o consumo é cada vez mais frequente. Para o médico, o aumento do uso do vape pelos jovens tem vários motivos como a desinformação e a falsa ideia de que não faz mal à saúde e ajuda a parar de fumar; o design moderno, sabores e aromas agradáveis; e a influência das redes sociais. Além disso, mesmo sendo proibida a venda no Brasil, é fácil o acesso aos produtos pela internet ou comércio ilegal, o que preocupa muito.
TABAGISMO PASSIVO
O fumo passivo, ou seja, a inalação frequente da fumaça por quem está próximo do fumante, pode trazer sérios riscos à saúde, principalmente dos mais vulneráveis. Crianças expostas à fumaça têm mais infecções respiratórias, asma e otites; gestantes podem ter complicações na gravidez e bebês com baixo peso. O tabagismo passivo também aumenta o risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e câncer. Não existe nível seguro de exposição à fumaça do cigarro, afirma o Dr. Caique.
Para além da fumaça, evidências mostram que o vapor liberado pelos dispositivos eletrônicos também pode afetar as pessoas próximas por conter diferentes quantidades de substâncias tóxicas e metais pesados, potencialmente prejudiciais.
POR QUE FUMAR?
Por que tantas pessoas ainda consomem o tabaco, principalmente os mais jovens, mesmo quando entendem que o hábito faz mal à saúde? Segundo Lorraine Falqueto, psicóloga da equipe da GNSS – Gerência de Saúde e Segurança do Trabalho da Copasa, o tabagismo ocorre por fatores fisiológicos, psicológicos, sociais e comportamentais. Muita gente começa a fumar por influência, como uma criança que cresce vendo os pais fumando, ou o adolescente, que tem maior necessidade de pertencimento a grupos nessa fase da vida e acaba fumando para acompanhar o grupo social em que está inserido. Também é comum começar a fumar para aliviar questões emocionais, como estresse, ansiedade e outras.
Lorraine salienta que, com o tempo, o tabagismo pode se transformar em um meio de compensação emocional, gerando dependência tanto física quanto psicológica. E tudo isso acaba fortalecendo o hábito e dificultando a cessação, mesmo quando a pessoa sabe dos prejuízos à sua saúde.
COMO COMBATER O TABAGISMO
“Cessar o tabagismo exige força de vontade. Antes de tudo, a pessoa tem que querer parar e estar disposta a abrir mão de algo que se tornou confortável. Para isso, é importante ter informação, contar com apoio psicológico e, em muitas situações, fazer o tratamento medicamentoso”, ressalta a psicóloga.
Nesse aspecto, o trabalho realizado pelo Programa de Prevenção e Atendimento ao Sujeito em Relação ao Álcool e às Drogas (PASA) faz diferença: acolhimento e escuta, sem julgamento, para tentar buscar, junto com a pessoa, estratégias para lidar com as questões que a levaram a fumar e, assim, dar conta de mudar o hábito aos poucos.
O PASA oferece suporte e acompanhamento para os empregados da Copasa/Copanor que possuem relação com uso abusivo de substâncias, como o tabaco. Interessados podem entrar em contato com a equipe responsável pelo programa, através dos telefones: (31) 3250-2218 e (31) 3250-1116.
Esse conteúdo foi produzido por meio do convênio Saúde em Dia, uma parceria entre Copass Saúde e GNSS – Gerência de Saúde e Segurança do Trabalho da Copasa.