Saúde sexual é qualidade de vida
Não pode ser tabu algo que representa uma dimensão tão importante na vida do ser humano. A sexualidade é uma das faces da atenção à saúde integral e envolve o cuidado físico e mental para ser vivida em sua plenitude.
A saúde sexual vai muito além da ausência de doenças e disfunções ou de estar fisicamente apto para o ato em si. É um estado de bem-estar físico, emocional, mental e social em relação à sexualidade. Isso engloba fatores como autoconhecimento, aceitação da própria sexualidade, direito à liberdade de escolha, entendimento da relação com o outro como fonte de experiências prazerosas e seguras.
Segundo a Dra. Valéria Campos, ginecologista e sexóloga, membro da equipe do Núcleo de Saúde da Mulher do Hospital Felício Rocho, é importante entender que a vida sexual faz parte do ser humano e acabar com o tabu de que sexo é algo sobre o qual não se fala. Afinal, é preciso estar consciente sobre as responsabilidades de uma vida sexual ativa e bem vivida para usufruir ao máximo dos seus benefícios, que se resumem em mais qualidade de vida.
QUESTÃO FÍSICA E MENTAL DA SAÚDE SEXUAL
A primeira condição para a uma vida sexual ativa é a parte física, que precisa estar saudável. Para tanto, é essencial o tratamento adequado de eventuais distúrbios e a prevenção das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como HIV, sífilis etc.
Por outro lado, segundo a Dra. Valéria, “em relação à sexualidade, tudo começa na cabeça.” As etapas da resposta sexual, como o desejo, a excitação, o orgasmo são afetadas pelas condições mentais do indivíduo. Há uma série de patologias da esfera sexual que vêm acompanhadas de questões como ansiedade, depressão, baixa autoestima, por exemplo.
A saúde emocional e o estímulo sexual caminham juntos, principalmente para as mulheres, devido aos hormônios femininos. O organismo funciona como um todo e se alguns pontos falham, seja de ordem física ou mental, o resultado sexual fica aquém do que se pode esperar. Por isso, fatores como cansaço físico, preocupações, excesso de trabalho, estresse, desconforto com a forma física, obesidade, tabagismo, sedentarismo, questões hormonais, entre outros, fazem parte dos riscos à saúde sexual.
INÍCIO SAUDÁVEL
Para a Dra. Valéria, atualmente as pessoas buscam mais informações quanto às questões sexuais, principalmente as mais jovens. E, para quem está iniciando a vida sexual, a orientação adequada faz muita diferença.
O ensino sexual nas escolas é imprescindível para a formação de jovens mais conscientes. O diálogo com os pais sobre a vida sexual, com liberdade e confiança, além da comunicação aberta com o(a) parceiro(a) sexual propiciam relações mais tranquilas.
Para as mulheres, a visita ao ginecologista antes do início da atividade sexual é fundamental para ter todas as orientações, como métodos anticoncepcionais, vacinas, prevenção de doenças. A proteção contra a gravidez indesejada, por exemplo, precisa ser iniciada antes da primeira relação sexual. No caso dos homens, apesar de não haver uma cultura da consulta ao urologista para orientações antes de iniciar a vida sexual, seria o ideal, afirma a médica.
SINAIS DE ALERTA DA SAÚDE SEXUAL
O ato sexual deve ser tão natural quanto outras funções do organismo como comer, evacuar, dormir. Qualquer desconforto na relação deve ser observado para buscar a ajuda necessária, alerta a Dra. Valéria.
Um sinal que precisa ser investigado sempre é a dor na relação sexual. Corrimentos frequentes, fissuras na região do períneo também são condições que pedem atenção. Além disso, se há dificuldades, ansiedade, medo, tensão é muito importante contar com ajuda médica ou psicológica.
CUIDADOS ESSENCIAIS PARA A SAÚDE SEXUAL
- Informação. pessoas que buscam fontes seguras de informação sobre a vida sexual, têm mais condições de ter relações tranquilas e prazerosas.
- Parceria. a cumplicidade na relação é importante. Parcerias sexuais estáveis tendem a propiciar relações mais saudáveis. Geralmente, a troca constante de parceiros(as) sexuais aumenta o risco para as ISTs e dificulta a intimidade.
- Atividade física: pessoas que praticam exercícios físicos regularmente têm mais disposição para o sexo e autoestima mais elevada.
- Hábitos de vida saudáveis: não fumar, ter uma alimentação equilibrada, manter o peso adequado e outros hábitos que afetam a saúde de forma geral também impactam a saúde sexual.
- Acompanhamento médico: a visita periódica ao ginecologista ou urologista é necessária para avaliação clínica, realização de exames preventivos, orientação para uso de métodos de proteção e contraceptivos.
- Vacinação em dia: a imunização contra ISTs, como as vacinas contra HPV e hepatite B fazem parte do cuidado com a saúde sexual.
- Acompanhamento psicológico: independentemente da opção sexual de cada um, o acompanhamento terapêutico pode auxiliar a pessoa a entender o seu corpo, suas dificuldades e suas necessidades para alcançar uma vida sexual plena e satisfatória.
Esse conteúdo foi produzido por meio do convênio Saúde em Dia, uma parceria entre Copass Saúde e USSS – Unidade de Serviço em Saúde e Segurança do Trabalho da Copasa.