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Os limites da dependência digital na infância e adolescência

14/10/2024

A perda do controle no uso da tecnologia afeta drasticamente as principais áreas da vida como os relacionamentos interpessoais, estudo, trabalho, saúde física e mental. Quanto mais cedo isso acontece, piores as consequências.

Cada vez mais crianças e adolescentes passam horas conectados a dispositivos eletrônicos, o que impacta seu desenvolvimento físico, emocional e social. A Dra. Valéria Maria Barbosa de Carvalho, pediatra e psicanalista do Hospital Felício Rocho, alerta para a gravidade dessa situação, apontando as condições que a favorecem e os riscos. A médica chama a atenção para a responsabilidade dos pais  e orienta sobre como enfrentar esse desafio.

O que é a dependência digital na vida das crianças e adolescentes?

A dependência digital pode ser comparada a uma dependência química, como o alcoolismo. A vida da criança ou adolescente passa a girar  em torno de aparelhos digitais e da internet, preferindo manter uma conexão excessiva em detrimento de atividades fundamentais como alimentação, interação social e participação em outras formas de recreação. O isolamento do ambiente virtual faz com que o indivíduo vá se desligando de tudo e perdendo a razão de viver.

A idade em que se inicia o uso de telas e o tempo de permanência diante delas são cruciais para a dependência. A criança torna-se dependente com facilidade, mas também se recupera rápido quando há uma intervenção para retirá-la desse processo. Nunca é tarde para intervir, mas os prejuízos ficam. Quanto mais tempo for perdido, mais dificuldades essa criança terá no futuro.

Quais são os sinais da dependência digital?

Os sinais incluem comportamento depressivo, ansiedade, irritabilidade, distanciamento social, oscilações de humor, baixa imunidade, dificuldade de raciocínio e atenção. O dependente digital adoece com mais frequência e o desempenho escolar cai. Em crianças pequenas, podem ocorrer deficiências no desenvolvimento da linguagem. Até a sensibilidade para comer pode ser alterada e a criança se tornar mais intolerante e menos propensa a aceitar alimentos saudáveis.

Quais são as consequências físicas e emocionais da dependência digital?

O uso prolongado de telas pode diminuir o hipocampo e o lobo frontal do cérebro. O hipocampo é responsável pelo raciocínio, memória e cálculo, enquanto o lobo frontal integra ação e emoção. Isso pode levar a reações exageradas e violentas ou falta de reação em situações cotidianas.

Crianças e adolescentes com dependência digital têm menor capacidade cardíaca e respiratória. Os riscos de obesidade, hipertensão e diabetes aumentam. Também são comuns distúrbios da tireoide e intestinais, além de problemas oculares, que estão cada vez mais graves e frequentes.

Para adolescentes, a situação é ainda mais preocupante. Os jogos virtuais os mantêm por horas em posições prejudiciais ao corpo, desconectados de suas vidas reais e focados em resolver problemas fictícios que não agregam valor à sua existência. No futuro, isso pode impactar a vida profissional, tornando-os passivos, sem protagonismo, com falta de criatividade e vivência própria.

Qual é o papel dos pais na dependência digital dos filhos?

Os pais deixam os filhos entregues à dependência quando evitam impor limites. Isso tem muito a ver com o estilo de vida das famílias, com a falta de tempo dos pais para os filhos. Os eletrônicos e a internet são uma solução prática. Por outro lado, dizer “não” e estabelecer regras exige mais tempo, dedicação e recursos para oferecer outras atividades para as crianças.

Além disso, quem compra os aparelhos, os jogos, quem provê a internet são os pais. Não se pode negar os benefícios da tecnologia, mas saber dosar o uso e entender o que é bom é responsabilidade deles. Os pais não podem ter medo de dizer não, nem podem sair do seu lugar de autoridade porque as crianças e adolescentes precisam disso. Quando há dificuldades nessa relação, é importante buscar apoio psicológico para auxiliá-los a exercer esse papel.

O exemplo também é fundamental. Eu sempre pergunto, nas consultas, quem está depende digital na família. Pois se os pais estão muito envolvidos no mundo virtual eles não têm como perceber que estão contribuindo para deteriorar a saúde física, mental e produtiva dos filhos.

Como evitar e combater a dependência digital?

É preciso estabelecer limites claros e manter ou restaurar a autoridade dos pais para que tenham controle sobre o tempo que as crianças passam nos dispositivos eletrônicos.

As telas de todas as pessoas da casa devem ser desligadas até as 21 horas. É essencial que a criança durma e acorde cedo para auxiliar o hormônio do crescimento e o descanso, que tenha pelo menos uma hora diária de exercício físico vigoroso, além de uma alimentação saudável. Nada de telas para crianças menores de dois anos e, preferencialmente, até completarem mil dias de vida.

É muito importante manter o equilíbrio entre o tempo necessário para as atividades virtuais, como as escolares, com outras atividades que ofereçam oportunidades de movimento e interação com o mundo real.

Esse conteúdo foi produzido por meio do convênio Saúde em Dia, uma parceria entre Copass Saúde e USSS – Unidade de Serviço em Saúde e Segurança do Trabalho da Copasa.

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