Os benefícios da estimulação precoce na prematuridade
O estímulo adequado e no momento oportuno, realizado por equipe multidisciplinar e com o apoio da família, permite que o bebê prematuro tenha um desenvolvimento saudável.
A criança prematura nasce antes de completar o desenvolvimento que deveria ocorrer no útero da mãe. Seus sistemas nervoso, muscular e sensorial ainda estão em formação e precisam amadurecer. Nesse contexto, é comum ocorrerem atrasos no desenvolvimento, além de maior probabilidade de problemas respiratórios, cognitivos entre outros.
Para evitar as consequências da prematuridade, é fundamental que haja acompanhamento adequado para identificar o nível de comprometimento que a criança pode vir a ter e fazer as intervenções indicadas, no tempo certo, garantindo que ela cresça de forma saudável.
Segundo Ana Elisa Vilas Boas Guimarães, fisioterapeuta respiratória e de estimulação sensório-motora do Neocenter Maternidade, é muito importante, na fase neonatal do prematuro, que ele receba estímulos precocemente para se desenvolver. “Esse estímulo tem que ser individualizado, gradual, seguro e planejado para favorecer a organização neurológica do bebê e seu desenvolvimento global. Essa é a chave para que a criança evolua da melhor e mais adequada forma possível.”
Idade cronológica x idade corrigida
A criança é considerada a termo, ou seja, pronta para nascer, a partir de 37 a 40 semanas de idade gestacional. Para entender, acompanhar e estimular o desenvolvimento do bebê prematuro é preciso corrigir a sua idade cronológica, que é contada a partir do dia que nasceu, para sua idade corrigida, que é ajustada pelo grau de prematuridade, de acordo com as semanas que faltaram para o nascimento a termo. Isso significa que, se uma criança nasceu 5 semanas antes do período ideal, deve-se contar a sua idade corrigida subtraindo 5 semanas da sua idade cronológica. O desenvolvimento estimado para o prematuro deve sempre estar de acordo com a sua idade corrigida.
Estímulo precoce
O principal objetivo da estimulação precoce é promover um ambiente e práticas específicas para que o bebê desenvolva todo o seu potencial em aspectos motores, cognitivos, psíquicos e sociais. Essas intervenções vão variar de acordo com o grau de prematuridade, a fase de desenvolvimento e as condições apresentadas pelo bebê, de forma totalmente individualizada.
Os estímulos devem ser programados e realizados por uma equipe de profissionais especializados, como pediatras, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, com o apoio e participação dos pais e cuidadores. Esse processo deve se iniciar desde o nascimento, ainda na maternidade.
A fisioterapeuta Ana Elisa explica que os estímulos têm como base de orientação os marcos motores do desenvolvimento infantil, que são as habilidades que se espera que a maioria das crianças adquira em determinada faixa etária. As fases de sustentar a cabeça, sentar-se, engatinhar, andar, entre outras, por exemplo, são previstas por marcos motores. Quando há algum atraso no desenvolvimento, deve-se adaptar o estímulo para que a criança tenha a evolução adequada. ”Muitas vezes, com o estímulo precoce e adaptado às necessidades da criança prematura, ela consegue alcançar os marcos motores sem apresentar atrasos”, salienta.
Importância do apoio e atuação dos pais
O envolvimento dos pais é fundamental para o desenvolvimento do bebê, seja prematuro ou não. Eles oferecem estímulos emocionais e sensoriais que contribuem para o amadurecimento neurológico da criança. Assim, para a fisioterapeuta, os pais são protagonistas do cuidado, especialmente quando recebem apoio de uma equipe multiprofissional.
O período neonatal costuma ser desafiador e gerar insegurança, principalmente no caso de prematuros. É importante que os pais sejam bem orientados para tocar, conversar com o bebê e participar das rotinas básicas, mesmo que ele esteja ainda na incubadora. Isso reduz medos, ajuda o bebê a sentir-se seguro e estimula seu desempenho. Se o vínculo entre o bebê e os pais se fortalece, todo o desenvolvimento global da criança é favorecido.
Quando a criança prematura está em casa, é importante intensificar a estimulação, com acompanhamento profissional e da família. Segundo Ana Elisa, os pais, por estarem mais próximos no dia a dia, são os que melhor percebem os momentos ideais para estimular o desenvolvimento do bebê. E todas as pessoas envolvidas nos cuidados, como babás, avós, tios, também devem receber orientações para apoiar esse processo.
Estimulação e cuidados em casa
Não há uma receita geral para a estimulação do bebê prematuro em casa, explica a fisioterapeuta, porque cada estímulo tem seu momento adequado, de acordo com as condições e a resposta da criança. Contudo, determinadas ações que favorecem o desenvolvimento do prematuro podem ser adotadas, especialmente pelos pais, em qualquer fase. Ana Elisa dá algumas dicas:
. Carregar a criança na posição canguru oferece aconchego, segurança e deve fazer parte dos cuidados desde o nascimento.
. Fala e linguagem são estimuladas quando os pais conversam com o bebê desde os primeiros dias, nomeiam objetos, descrevem as ações que são feitas.
. Cantar músicas, ler para a criança e falar com diferentes entonações, valorizando os sons, vão estimular a audição. É importante evitar ruídos altos e ambientes barulhentos porque o sistema auditivo da criança é muito sensível.
. Para estimular a visão, brinquedos com contraste de cor são interessantes. É recomendado ambientes com luz natural mais suave, sem estímulos excessivos e sem exposição a telas.
Outras dicas básicas também são essenciais para o cuidado do prematuro como deitá-lo sempre de barriga para cima; não colocar objetos muito próximos que podem sufocar, como cobertas, bichos de pelúcia, almofadas, protetores de berço; não dividir a cama com o bebê; vesti-lo com roupas adequadas à temperatura ambiente; nunca fumar próximo à criança.
Esse conteúdo foi produzido por meio do convênio Saúde em Dia, uma parceria entre Copass Saúde e GNSS – Gerência de Saúde e Segurança do Trabalho da Copasa.