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O risco da automedicação para a saúde renal

20/03/2025

Não deixe aquele remedinho que está sempre à mão para solucionar rapidamente o problema se transformar em uma grande “dor de cabeça”.

É hábito de muita gente ter um medicamento guardado para usar quando aparece alguma dor, azia, queimação, enjoo e outros desconfortos do dia a dia. E há quem vá além, mantendo uma pequena farmácia em casa para todo tipo de problema.

As medicações podem trazer alívio e são indispensáveis para o tratamento das mais diversas condições, mas também oferecem riscos, principalmente quando utilizadas de forma indiscriminada. Os rins, que desempenham um papel essencial para a saúde geral do organismo, estão entre os órgãos mais agredidos pela automedicação. E as doenças renais podem ser assintomáticas no início, o que aumenta o risco de complicações futuras.

Segundo o médico José de Resende Barros Neto, coordenador de Nefrologia do Hospital Orizonti, credenciado à Copass Saúde, os medicamentos precisam ser vistos como uma “faca de dois gumes”. Todos têm prováveis ou possíveis benefícios e também riscos.  Algumas medicações, quando bem indicadas, vão beneficiar a saúde dos rins ou retardar a progressão de uma doença renal. Por outro lado, existem medicações compostas por substâncias que podem ser tóxicas e diretamente lesivas para a função renal, como um efeito não intencional.

OS MEDICAMENTOS

Os anti-inflamatórios, muito indicados por áreas como ortopedia, pneumologia e otorrinolaringologia para tratar dores com algum grau de inflamação associado, são um dos principais exemplos de medicamentos frequentemente utilizados sem orientação e que podem afetar a função renal.

Também é comum  o uso indiscriminado de medicamentos para azia, dor e queimação no estômago, como o omeprazol e o pantoprazol, que oferecem maior risco para lesões renais.

De acordo com o nefrologista, existem ainda outras medicações que podem causar prejuízos aos rins, mas que contam, geralmente, com maior controle do uso, como os antibióticos – vendidos somente com prescrição médica -, além de alguns fármacos de uso mais restrito ao ambiente hospitalar.

O Dr. José diz que, entre os remédios muito utilizados, indicados para dores em geral, a dipirona e o paracetamol são relativamente seguros, não apresentando risco para doenças renais. Mas isso não significa que o uso abusivo não ofereça outros riscos.

OS SUPLEMENTOS

A suplementação de vitaminas e outras substâncias merece um olhar cuidadoso, segundo o nefrologista.  Esse mercado cresceu muito nos últimos anos e, de modo geral, não tem uma regulação tão exigente quanto a dos medicamentos alopáticos. Isso significa que muitos produtos são comercializados sem grandes estudos sobre os seus efeitos colaterais e consumidos livremente com a premissa de não oferecerem riscos à saúde.

Mas o fato é que há ainda certo desconhecimento sobre quanto essas substâncias podem afetar a saúde dos rins. No entanto, sabe-se que até a suplementação de vitamina D, que é muito comum, quando realizada sem indicação, pode gerar intoxicação renal e levar à necessidade de diálise, alerta o médico. A recomendação é usar suplementos apenas quando bem indicados e com acompanhamento de profissionais capacitados.

OS RISCOS DA AUTOMEDICAÇÃO

Segundo o nefrologista, o risco de um medicamento provocar alguma lesão renal não necessariamente tem a ver com a quantidade de doses tomada. Apenas um comprimido pode trazer prejuízos, de acordo com as condições do paciente. Isso porque a causa da reação é multifatorial. Tudo depende da genética da pessoa, se há alguma predisposição ou alguma lesão já instalada, da sua condição de saúde geral. No entanto, aquela pessoa que usa o medicamento com mais frequência e em doses maiores tem maior risco de desenvolver uma lesão renal.

O médico ressalta que o uso abusivo de medicamentos não está entre as principais causas de doenças renais e a maioria das pessoas pode não ter nenhum problema. A questão é que como o uso indiscriminado é muito frequente, uma pequena porcentagem de pessoas que adoecem já é significativa, além de ser uma causa evitável.

AS DOENÇAS RENAIS

As doenças renais provocadas pela automedicação têm relação com a perda da função dos rins e podem ser consideradas como crônicas ou agudas. Se acontece de repente é aguda e se vai se instalando ao longo de meses ou anos é crônica. A doença renal aguda, apesar de ser muito intensa, tem maior probabilidade de recuperação. Já para a doença renal crônica, que se arrasta por muito tempo, a probabilidade de recuperação é reduzida. A principal consequência da perda da função renal é a necessidade de diálise.

As doenças renais crônicas ocorrem com maior frequência quando o paciente apresenta doenças metabólicas, como diabetes, hipertensão, obesidade. Já a doença renal aguda está mais ligada ao uso de medicações, mas pode se tornar crônica quando o paciente já apresenta alguma predisposição.

A PREVENÇÃO

Para afastar o risco de doenças renais provocadas pelo uso de medicamentos o Dr. José aconselha agir com base em alguns cuidados:

. Parcimônia. Medicamentos devem ser utilizados com equilíbrio e moderação, o que significa utilizar apenas quando bem indicado, na dose correta e pelo tempo mínimo necessário para, assim, reduzir a possibilidade de doença renal.

. Responsabilidade.  A automedicação, seja com medicamentos alopáticos ou suplementos, sempre carrega um risco. Assim, é preciso fazer uso responsável, não baseado em propagandas ou indicação de pessoas sem capacitação.

. Orientação. Faz toda a diferença ter o acompanhamento de um profissional de saúde, aquele médico de referência, que conhece o paciente e tem condições de orientar  quanto ao uso e avaliar os riscos de qualquer medicação.

. Prudência. Na dúvida, não tome ou procure o médico para se orientar.  É preciso mudar o hábito de tomar remédios por conta própria e sem se informar melhor sobre os riscos. A prudência, típica do mineiro, é uma grande aliada para evitar o uso de medicações de forma inadequada.

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