O que você precisa saber sobre trombose
O sangue correndo pelas veias nos mantém vivos. Mas quando esse fluxo natural é interrompido por um trombo, o corpo pode sofrer graves consequências, se não tratado rapidamente.
O QUE É A TROMBOSE
Toda vez que há uma lesão no organismo, o sangue se coagula no local, passando de líquido para sólido, para evitar sangramentos. É uma defesa natural. A trombose é quando o sangue coagula sem necessidade e se transforma em um trombo ou coágulo dentro do vaso sanguíneo. Isso acontece quando há um desequilíbrio no organismo entre fatores coagulantes e anticoagulantes.
De acordo com o Dr. Ricardo Procópio, angiologista e cirurgião vascular da clínica Intervascular, credenciada à Copass Saúde, “a trombose é um mecanismo, não uma doença em si.” O sangue transporta oxigênio, essencial para todos os órgãos, e circula pelo corpo através das artérias e veias. Um trombo no caminho impede a circulação e retorno do sangue, trazendo complicações.
A trombose pode ser arterial ou venosa, mas o termo popular é associado à trombose venosa profunda. Ela pode acontecer em qualquer veia do corpo, mas 90% dos casos acontecem nas veias das pernas (membros inferiores).
CONSEQUÊNCIAS DA TROMBOSE
A trombose venosa profunda deve ser tratada de imediato para evitar complicações. Em primeiro lugar, se há um coágulo ou trombo é sinal de que outros podem se formar se não houver tratamento. E o coágulo pode, a qualquer momento, se desprender da veia e se deslocar para as artérias do pulmão, causando embolia pulmonar, que é grave e pode levar à morte.
O médico ressalta que quando a trombose se forma do joelho para baixo, o risco de embolia pulmonar é menor. Mas se ocorre na coxa ou virilha, a chance é maior.
COMO ACONTECE A TROMBOSE
Usualmente, a trombose ocorre quando há pelo menos dois dos fatores abaixo associados:
- Estase – sangue parado ou com circulação lenta nas veias. Ocorre quando parte do corpo fica muito tempo sem movimento como em viagens longas, imobilizações por fraturas nos membros inferiores, pós-operatório, principalmente de cirurgias demoradas e ortopédicas de prótese de joelho e de quadril, períodos de internação hospitalar.
- Hipercoagulabilidade – tendência do sangue coagular. Pode ser uma condição congênita ou adquirida, através de traumas e lesões, câncer, algumas doenças como lúpus e síndromes nefrológicas, uso de determinados hormônios, como estrogênio e testosterona.
- Lesão endotelial – quando há uma lesão na parede interna do vaso sanguíneo (endotélio), podem se formar trombos no local.
OUTROS FATORES DE RISCOS DA TROMBOSE
- História familiar: As tromboses causadas por predisposição genética geralmente ocorrem mais cedo, antes dos 40 anos.
- Idade. Até os 20 anos a chance de ter trombose é muito pequena. Já a partir dos 60 anos, quanto maior a idade, maior o risco.
- Gravidez e puerpério. São fases que aumentam o risco para trombose. A chance é ainda maior quando o parto é cesárea, pelo trauma cirúrgico e pós-operatório.
- Anticoncepcionais e reposição hormonal. O risco está ligado ao uso do hormônio estrogênio e aumenta se houver alguma outra condição para a trombose. Na reposição hormonal, se o estrogênio for aplicado pela pele, o risco é menor. O uso de compostos à base de progesterona não aumenta o risco de trombose.
- Obesidade. A gordura visceral comprime os vasos da região abdominal, deixando a circulação sanguínea mais lenta e dificultando o retorno do sangue para o coração. O excesso de peso é um fator de risco muito importante, tanto para a trombose, quanto para doenças vasculares e cânceres, que aumentam ainda mais as chances. Os dados do Diagnóstico de Saúde realizado pela Copass Saúde e Copasa junto aos seus empregados constataram um grande percentual de pessoas com sobrepeso (45,6%) e obesidade (22,59%).
- Ter tido trombose. Quem já teve um trombo nas veias, tem muito mais chances de desenvolver outros.
- Covid-19. Em casos graves, a doença aumenta a coagulação do sangue. O risco é maior enquanto há sintomas e persiste por um tempo depois.
- E as varizes? O Dr. Ricardo afirma que, ao contrário do que muitos acreditam, não há comprovação de que as varizes aumentam o risco de trombose. Em casos de veias varicosas muito grossas podem ocorrer trombos, mas são, em geral, superficiais.
SINAIS DE ALERTA DA TROMBOSE
A trombose venosa profunda ocorre em veias mais internas, que não são visíveis na superfície da pele. O principal sinal é inchaço incomum e repentino, em geral de uma perna só, que não desaparece após descansar, acompanhado de dor, peso nas pernas, cansaço. Se o trombo ocorre em uma veia menor e mais profunda, pode não haver inchaço, mas dor atípica e sem causa identificada, bem localizada, principalmente, na panturrilha. Diante dos sintomas, é importante buscar atendimento rápido de um angiologista ou pronto socorro.
Os sintomas da trombose em veias mais superficiais, chamada tromboflebite, são mais visíveis. A região da perna fica endurecida, avermelhada, quente e dolorida. A trombose venosa superficial não é uma emergência e não oferece risco de embolia pulmonar, mas deve ser tratada.
DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO
O diagnóstico da trombose pode ser feito por exame clínico e exames complementares de sangue (Dímero-D) e imagem (ultrassom vascular).
O tratamento é à base de anticoagulantes, tanto para evitar o risco de novos trombos e embolia pulmonar quanto para tratar o problema. O que muda é a dosagem. A gestante, quando tem trombose, precisa tomar injeções de anticoagulantes até o final da gravidez. Além da medicação, o uso de meias elásticas também é indicado, de acordo com a condição de cada paciente.
PREVENÇÃO DA TROMBOSE
A prevenção da trombose inclui hábitos de vida saudáveis, manutenção do peso adequado, uso de meia elástica e atividade física regular. Além de exercitar o corpo, é importante se movimentar com frequência, evitando ficar parado por muito tempo.
Em caso de restrição de movimentação por internações, cirurgias, imobilizações ou em caso de doenças que aumentam a coagulação do sangue, é fundamental o uso de anticoagulantes conforme orientação médica.
Esse conteúdo foi produzido por meio do convênio Saúde em Dia, uma parceria entre Copass Saúde e USSS – Unidade de Serviço em Saúde e Segurança do Trabalho da Copasa.