HIV – Prevenção para todos e adequada a cada um
De acordo com o Ministério da Saúde, em 2023, cerca de 770 mil pessoas vivendo com HIV estavam em tratamento para controle do vírus. Contudo, quase 200 mil brasileiros sabem que têm o HIV, mas não se tratam e mais de 100 mil desconhecem que vivem com o vírus.
Segundo o Dr. Henrique Manata Eloi, médico de Família e Comunidade da clínica de APS própria da Copass Saúde, em Belo Horizonte, mesmo com tantos avanços na prevenção e no tratamento da infecção, muitos ainda morrem por complicações da aids, doença causada pelo HIV, devido à falta de diagnóstico e cuidado. Uma realidade marcada pelo estigma em relação às pessoas que vivem com o vírus e o preconceito em relação à testagem.
COMPORTAMENTO DE RISCO
Atualmente, a avaliação do risco de infecção por HIV não trata de perfis específicos, mas da forma como a pessoa se expõe ao vírus. Não há grupos de risco e, sim, comportamentos de risco. Qualquer pessoa que pratique relações sexuais desprotegidas ou se expõe a outras formas de contaminação e não faz testes regulares está mais vulnerável à infecção do que outra que adota práticas seguras de prevenção, explica o Dr. Henrique.
Cabe ressaltar o grande do número de casos entre pessoas heterossexuais com mais de 40 anos, parcela da população onde é mais comum a negligência com a prevenção e o preconceito em relação à testagem para o HIV.
O médico alerta que, mesmo quem tem relacionamento fixo precisa se cuidar e realizar testes regularmente, já que é frequente que um dos parceiros seja infectado em uma relação extraconjugal e transmita o vírus ao outro. Muitos diagnósticos de HIV em gestantes, por exemplo, só são descobertos durante o pré-natal, quando, muitas vezes, nem a mulher, nem seu companheiro tinham conhecimento da infecção.
PREVENÇÃO COMBINADA
A prevenção combinada é uma forma de ampliar a proteção com a utilização de mais de um método para prevenir a infecção pelo HIV, considerando as características individuais e o contexto de vida de cada pessoa.
Assim, variam as possibilidades de intervenção mais adequada ao perfil de cada um, a partir de orientações fornecidas por um profissional de saúde capacitado. A prevenção combinada inclui o uso de preservativos masculinos e/ou femininos, gel lubrificante, a rotina de testagem e outras estratégias comportamentais, estruturais e medicamentosas tanto para evitar a infecção quanto para tratar e evitar a sua transmissão.
Segundo o Dr. Henrique, é importante individualizar o cuidado e compartilhar com o paciente para identificar quais métodos são mais indicados para cada um, de acordo com seus hábitos e preferências.
MEDICAÇÃO PREVENTIVA
A luta contra o HIV conta com medicações preventivas bastante eficientes, com poucas contraindicações e efeitos colaterais cada vez menores, explica o médico.
A Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) é uma medicação de uso diário e contínuo para que a pessoa esteja protegida antes de qualquer exposição ao vírus. Também pode ser usada apenas durante um período de maior risco de infecção por HIV. Está em fase de estudo uma nova PrEP, injetável, que deverá ser aplicada a cada seis meses. É necessária prescrição médica ou de profissionais de saúde autorizados para retirar a PrEP em farmácias específicas do SUS, além do acompanhamento médico regular para avaliar a função renal.
A Profilaxia Pós-Exposição (PEP) é para pessoas que não fazem uso da PrEP e tiveram uma exposição sexual de risco ou contato com perfurocortantes contaminados. É muito comum para pessoas que trabalham na área da saúde. A PEP deve ser iniciada, no máximo, em 72 horas após a exposição. Quanto antes, melhor. São dois comprimidos por dia durante 28 dias. É preciso fazer teste um mês após o uso e repetir após seis meses para ter certeza de que não houve infecção, além do monitoramento das funções hepáticas. Como é uma medicação de urgência, a PEP pode ser retirada em qualquer Unidade de Pronto Atendimento (UPA) ou nos Centros de Testagem e Acompanhamento (CTAs).
Para o Dr. Henrique, as medicações preventivas são uma revolução e a sua difusão entre a população, principalmente a PrEP, é essencial para a redução das infecções e da mortalidade por aids. Vale lembrar que a PrEP e a PEP protegem somente contra o HIV, sendo necessário o uso de outros métodos, como preservativos, para a prevenção das demais infecções sexualmente transmissíveis.
A IMPORTÂNCIA DA TESTAGEM
A testagem regular faz parte da prevenção combinada. “Quanto mais cedo as pessoas forem testadas e tiverem o diagnóstico, mais maduras e seguras em relação à sua vida sexual. Por isso, falar sobre HIV nas consultas de rotina é fundamental para criar a consciência quanto ao comportamento de risco”, afirma o médico.
Existem o teste sorológico, com coleta de sangue em laboratório; o teste rápido, por gota de sangue; e o autoteste, pela saliva. O recomendado é que pessoas sexualmente ativas se testem, pelo menos, duas vezes ao ano, independente de terem mais parceiros sexuais ou um relacionamento fixo.
INDETECTÁVEL = INTRANSMISSÍVEL
Hoje, o tratamento da infecção por HIV é bem mais simples, de fácil acesso, quase isento de efeitos colaterais e oferece boa sobrevida. Além disso, com o controle adequado, é possível manter a carga viral indetectável no organismo e, dessa forma, o vírus não é transmissível por via sexual. Gestantes com HIV indetectável podem também ter parto normal, sem risco de transmissão para o bebê.
Mas não é uma condição definitiva, explica o Dr. Henrique. Para garantir a carga viral indetectável e intransmissível, é necessário acompanhamento médico regular e responsabilidade com o tratamento, que é contínuo e para o resto da vida.
Esse conteúdo foi produzido por meio do convênio Saúde em Dia, uma parceria entre Copass Saúde e USSS – Unidade de Serviço em Saúde e Segurança do Trabalho da Copasa.