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Hanseníase tem cura – A informação combate o medo e a doença

24/01/2025

No passado, a hanseníase, conhecida como lepra , era uma sentença de morte dolorosa e isolamento, gerando preconceito e estigma que perduraram ao longo dos séculos. Até os dias atuais, mesmo sendo uma doença curável, a falta de informação ainda causa um sofrimento desnecessário e dificulta o diagnóstico precoce e o tratamento.

A hanseníase é uma infecção crônica causada pelo bacilo Mycobacterium Leprae, que afeta a pele e os nervos, podendo causar deformidades e incapacidades físicas. De acordo com o Ministério da Saúde, em 2023, foram registrados 22.773 casos novos no Brasil e 1202 em Minas, com percentual de cura superior a 73% dos casos tratados. 

Hoje, grande parte da população tem imunidade natural ao bacilo e estudos mostram que a maioria das pessoas suscetíveis à doença tem uma maior predisposição genética, afirma a Dra. Sarah Mendes Oliveira, médica generalista da clínica do programa Integração Saúde, em Montes Claros. Por isso, segundo ela, saber do histórico familiar em relação à hanseníase é extremamente importante para o diagnóstico, pois é uma evidência para a investigação da doença diante de algum sintoma.

TRANSMISSÃO DA HANSEÍASE

A hanseníase é transmitida pelas vias aéreas superiores, através da tosse, espirros, fala. O contágio não ocorre facilmente porque é preciso haver um contato mais próximo e prolongado com a pessoa infectada, que tem que estar sem tratamento e apresentar a forma multibacilar da doença, classificada em função de grande quantidade de bacilos no organismo e mais de seis lesões na pele.

Não  há risco de transmissão da hanseníase na forma paucibacilar da doença, caracterizada pela presença de uma quantidade menor de bacilos no organismo  e até cinco lesões na pele. Também não existe risco de contaminação através de superfícies ou objetos pessoais como toalhas, roupas, talheres etc.

SINAIS E SINTOMAS DA HANSEÍASE

O período longo de incubação da doença varia, em média, de dois a sete anos, ou seja, uma pessoa infectada pode demorar sete anos ou mais para apresentar manifestações clínicas da hanseníase.

Os principais sintomas são manchas acastanhadas, avermelhadas ou esbranquiçadas na pele; perda de sensibilidade quanto ao tato, dor e temperatura na região afetada;  caroços (nódulos) no nariz, orelhas, dorso; formigamento e perda de força nas mãos e nos pés, entre outros.

ATRASO NO DIAGNÓSTICO

O diagnóstico, muitas vezes, demora a ser confirmado.  De acordo com a Dra. Sarah, por ser uma doença lenta e progressiva, as manifestações da hanseníase são, inicialmente, muito inespecíficas e acabam sendo confundidas e tratadas como outros tipos de lesões e doenças, que são mais frequentes na prática médica.

É comum que a investigação da hanseníase seja iniciada somente após diagnósticos anteriores equivocados sobre lesões que não responderam aos tratamentos realizados, ressalta a Dra. Sarah.

A partir da investigação, a doença pode ser identificada com facilidade. Existem avaliações tanto dermatológicas quanto neurológicas. Podem ser feitos testes de sensibilidade, biópsias das lesões, exames de baciloscopia e de sangue.

Na fase paucibacilar da doença, os exames de baciloscopia podem dar falso-negativo, inicialmente. Nesses casos, é importante acompanhar o paciente e lançar mão de outras avaliações para fechar o diagnóstico.

TRATAMENTO E REVERSÃO DAS LESÕES

Nunca é tarde para iniciar o tratamento, afirma a médica. A hanseníase tem cura, mesmo num estágio mais avançado. As lesões da pele podem ser revertidas, exceto quando houver destruição muito severa dos tecidos. Às vezes, a doença pode causar deformidades que geram dificuldades motoras  irreversíveis. Mesmo assim, é possível curar o paciente para que essas sequelas não evoluam e possam ser atenuadas com fisioterapia, por exemplo. Contudo, quanto mais precoce o tratamento melhor porque, além de evitar lesões, logo que é iniciado, o paciente não transmite mais a doença.

O tratamento dura de seis meses a um ano e meio, é medicamentoso, através de antibióticos, sem muitos efeitos colaterais. É feito exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que oferece além da medicação, controle e acompanhamento de todo o processo por equipes especializadas. Não é necessário isolar o paciente em nenhum momento, porém é importante fazer a investigação da doença entre os seus contatos mais próximos para verificar se houve contágio anterior.

A maioria dos pacientes sente alívio dos sintomas assim que começa a tomar os medicamentos e muitos abandonam o tratamento quando eles desaparecem, mas é fundamental continuar até o fim para garantir a cura, alerta a médica. Para não desistir, é essencial que o paciente seja acompanhado, de preferência, por equipe multidisciplinar.

APOIO DA APS

O atendimento continuado realizado na Atenção Primária à Saúde (APS) permite que qualquer sintoma relativo à hanseníase seja percebido e investigado mais precocemente. Além disso, o paciente acometido pela doença pode contar com o acompanhamento paralelo de todo o seu tratamento. 

O estigma e o preconceito relativos à hanseníase causam sofrimento psicológico aos pacientes. Daí a importância do atendimento na APS, diz a Dra. Sarah. A equipe multidisciplinar tem condições de fazer uma abordagem adequada,  identificando transtornos desenvolvidos em decorrência da doença e cuidando para que o paciente não abandone o tratamento.

>> Esse conteúdo foi produzido por meio do convênio Saúde em Dia, uma parceria entre Copass Saúde e GNSS- Gerência de  Saúde e Segurança do Trabalho da Copasa.

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