Dor de cabeça ocasional ou enxaqueca?
Como apenas um desconforto ou como uma dor intensa e crônica, a cefaleia é uma das queixas de saúde mais incapacitantes do mundo. Cefaleia é o nome que se dá à dor em qualquer parte da cabeça, incluindo as dores ocasionais e as enxaquecas.
Existem mais de 150 tipos de cefaleia identificados pela ciência, classificados em primárias, quando não têm uma causa específica, e secundárias, quando são decorrentes de algum fator como lesões, tumores, infecções ou uso de medicamentos.
De acordo com a neurologista credenciada à Copass Saúde, Juliana Almeida Barros, a maioria das dores de cabeça que chegam ao consultório médico são primárias, devido a uma tendência genética ou a uma falha do organismo no controle da dor. A médica explica que a cefaleia tensional, causada muitas vezes por estresse, é a dor de cabeça mais comum na população, mas a enxaqueca é a principal condição que leva o paciente a procurar o atendimento médico.
COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO
O diagnóstico da cefaleia é clínico, baseado nas características da dor. Assim, para a identificação correta do tipo de cefaleia é preciso uma investigação clínica detalhada, ou seja, uma boa conversa entre o paciente e o médico.
Segundo a Dra. Juliana, exames de imagem são, em geral, desnecessários porque em 99% dos casos de dor de cabeça primária, os resultados se apresentam normais, sem nenhum tipo de alteração. Esses exames podem ser solicitados para identificar as causas de uma cefaleia secundária, quando há suspeita.
O diagnóstico adequado é essencial para identificar o tipo de cefaleia e os possíveis gatilhos que intensificam os sintomas.
QUANDO É ENXAQUECA?
Existem vários tipos de enxaqueca, mas um dos sinais de alerta é ser uma dor diferente das outras dores de cabeça que a pessoa já teve. A enxaqueca clássica é uma cefaleia primária e tem características distintas. É comum que a dor se manifeste de forma unilateral, mas também pode se apresentar dos dois lados, mudar de lado ou pode se concentrar na região da testa ou atrás dos olhos. Quando leve, parece uma pressão e quando mais forte, parece latejar, pulsar, explica a médica.
Outros sintomas costumam estar associados à enxaqueca como sensibilidade à luz, som e cheiros, além de náuseas, ânsia de vômitos, tonturas, vertigens ou a dor pode ser acompanhada de auras, que são alterações na percepção visual como pontos de luz piscando, linhas em zigue-zague, pontos cegos.
A enxaqueca pode ser eventual, chamada de episódica, ou crônica, que é considerada quando o paciente tem mais de 15 episódios de dor por mês, durante mais de três meses, afirma a neurologista.
OS RISCOS DA AUTOMEDICAÇÃO
Segundo a médica, se a pessoa tem uma dor de cabeça eventual, que cede com o uso de analgésico comum, em geral, a automedicação não traz problemas. Mas quando a dor de cabeça se torna recorrente, fica cada vez mais forte e não responde bem à medicação, ao invés de insistir nas doses, é importante procurar atendimento médico. Isso porque a enxaqueca pode ser acentuada ou transformada em crônica pelo uso excessivo de analgésicos.
GATILHOS
A enxaqueca pode ser desencadeada ou se tornar mais intensa diante de alguns gatilhos como sono inadequado, questões hormonais como o período menstrual, estresse, ansiedade, condições de temperatura do ambiente, fome, entre outros. O consumo de determinados alimentos também pode ser prejudicial como laticínios, chocolate, bebida alcoólica, glúten, frituras, embutidos, excesso de cafeína.
PREDISPOSIÇÃO PARA A ENXAQUECA
A enxaqueca é uma neuroinflamação determinada geneticamente, explica a Dra. Juliana. Isso significa que só tem enxaqueca quem herda de algum parente essa predisposição para a dor. O cérebro da pessoa, nesses casos, é considerado hipersensível diante de diversos tipos de estímulos.
Além disso, as estatísticas mostram que as mulheres sofrem mais com a enxaqueca e a cefaleia tensional, o que pode estar relacionado a questões hormonais e comportamentais, que tornam a mulher mais sensível ao estresse e sobrecargas.
QUANDO E COMO TRATAR
Pessoas que têm enxaqueca de forma episódica, em geral, não necessitam de tratamento específico. O tratamento é indicado para aqueles pacientes que têm dores frequentes, incapacitantes ou crônicas, diz a Dra. Juliana.
Para o tratamento da cefaleia podem ser usados diversos tipos de medicamentos, de acordo com as características da dor, como antidepressivos, anticonvulsivantes, fitoterápicos, entre outros. O uso da medicação também pode ser indicado de forma preventiva, além da identificação e controle dos gatilhos da dor. A médica salienta que o tratamento é individualizado e depende das características e condições de saúde de cada paciente. É fundamental buscar atendimento médico para identificar corretamente o tipo de cefaleia e as possibilidades de tratamento.