Cuide para usar os medicamentos sempre a seu favor
Medicamentos salvam vidas, aliviam sintomas e evitam complicações de doenças, mas o uso inadequado pode ter efeito contrário, reduzindo sua eficácia ou trazendo graves consequências para a saúde.
Todo mundo já ouviu dizer que “a diferença entre o remédio e o veneno está na dose.” Mas a dose certa é só um dos requisitos para garantir que um medicamento faça o efeito esperado e não se torne um problema. A farmacêutica Natália Miranda Corrêa, integrante da equipe da clínica de Atenção Primária à Saúde (APS), da Copass Saúde, em Contagem, explica os cuidados que precisam ser observados para o uso seguro dos medicamentos.
Siga a prescrição médica
Cada medicamento precisa de quantidade e tempo específicos para agir no organismo e, se tomado sem regularidade de horário, de tempo ou em dosagem incorreta, pode não alcançar o pico de concentração necessária para ser eficaz. Por isso, seguir a orientação prescrita pelo médico é essencial para garantir o efeito desejado.
Isso se aplica a qualquer medicamento, especialmente, aos antibióticos, afirma Natália. Seu uso inadequado pode levar ao desenvolvimento de resistência bacteriana, tornando o tratamento ineficiente e forçando a substituição por medicamentos mais fortes. Além disso, é crucial completar o tratamento, mesmo que os sintomas melhorem, pois a infecção pode ainda não ter sido totalmente combatida.
Informe ao médico sobre todos os medicamentos utilizados
Para que o médico possa fazer uma boa anamnese e um diagnóstico preciso, tudo tem que ser falado. Segundo a farmacêutica, é importante que o paciente seja totalmente honesto com o seu médico sobre o que está sentindo e os medicamentos que faz uso. Assim, o médico pode analisar qual o melhor medicamento, se há alguma interação medicamentosa ou risco de agravamento de outros problemas de saúde existentes. “O que a gente acha que não é relevante, para o médico pode ser a chave para um diagnóstico e tratamento mais seguros. E isso contribui para maior adesão do paciente ao tratamento proposto.”
Entenda os riscos de interações medicamentosas
A combinação do uso de medicamentos ao mesmo tempo, sem avaliação adequada do médico ou farmacêutico, pode alterar a ação das substâncias no organismo. Os prejuízos causados pela interação medicamentosa ocorrem de três formas mais frequentes:
- Redução da eficácia, que acontece quando um medicamento diminui a absorção ou metabolização do outro, gerando perda da capacidade de ação.
- Aumento da concentração de determinado medicamento no organismo, podendo gerar intoxicação, efeitos colaterais e reações adversas.
- Toxicidade, pois o excesso de determinada substância pode sobrecarregar o organismo como um todo, causando danos como redução da função hepática, renal, entre outros.
Fique atento a reações adversas
Reação adversa é qualquer efeito indesejado causado por um medicamento e, em geral, todos oferecem esse risco. A maioria é relativamente leve, mas podem ocorrer reações graves, com risco de morte. Os medicamentos também interagem negativamente com álcool e drogas, podendo trazer maiores riscos ao paciente. De acordo com Natália, o sinal de reação mais comum é a coceira e vermelhidão no corpo. As reações podem ter um efeito instantâneo ou pode levar algum tempo para surgir. O tipo e a intensidade dependem de cada organismo.
Em caso de reação, é fundamental interromper o uso do medicamento e buscar orientação médica ou de um farmacêutico. Conforme a gravidade dos sintomas, deve-se buscar atendimento de emergência o mais rápido possível.
Armazene com segurança
É comum o hábito de guardar medicamentos na cozinha ou no banheiro de casa. Mas, segundo a farmacêutica, esses são os piores lugares para conservá-los porque geralmente têm mais umidade e calor. Os medicamentos têm componentes químicos que são alterados por luz, temperatura e umidade, levando à sua degradação. O ideal é guardar em local seco, fresco e longe da luz, além de mantê-los sempre fora do alcance de crianças e animais.
Medicamentos que precisam de refrigeração devem ser guardados na geladeira (2 a 8°C), mas nunca na porta, pois é o primeiro lugar que perde a refrigeração ao abri-la. Recomenda-se guardar dentro de um recipiente fechado, no meio da geladeira, que é onde tem melhor refrigeração.
É importante manter medicamentos em suas embalagens originais, pois elas têm características específicas de conservação que variam de acordo com as substâncias, ajudando a protegê-las do ambiente externo.
Tenha uma rotina para medicamentos de uso contínuo
Algumas dicas da farmacêutica Natália podem auxiliar o paciente a fazer uso correto daqueles remédios usados continuamente:
- Faça uma lista com a ordem de administração e horário dos medicamentos prescritos para consultar se tiver dúvidas;
- Mantenha um horário certo para tomar o medicamento. Coloque um despertador ou o celular para lembrar;
- Evite misturar os medicamentos de uso contínuo com aqueles usados esporadicamente para não confundir;
- Mantenha os medicamentos em sua embalagem original e anote na caixinha, se possível, os horários em que o medicamento deve ser administrado;
- Mantenha a consulta médica periódica para renovação da receita e avaliação do efeito dos medicamentos. O farmacêutico também pode auxiliar nessa avaliação.
Evite a automedicação
A questão da automedicação é preocupante, afirma a farmacêutica. Mesmo aqueles medicamentos aparentemente inofensivos, que não precisam de prescrição médica, não devem ser utilizados sem orientação. O paracetamol, por exemplo, pode trazer risco hepático se usado de forma indiscriminada. Os anti-inflamatórios, muito comuns, também podem aumentar o risco de hemorragias, úlceras gástricas, problemas renais.
Além do risco de interação medicamentosa, a automedicação pode mascarar os sintomas de alguma doença, atrasando seu diagnóstico. Também é muito comum o erro na dosagem tomada que, ser for baixa, não vai gerar o efeito esperado e, se for alta, pode causar intoxicação ou reação adversa grave.
Restrinja a “farmacinha de casa”
Para Natália, a pessoa pode manter alguns medicamentos guardados em casa para situações eventuais ou emergenciais, desde que tenha, antes, a orientação de um farmacêutico. Esse cuidado é fundamental para manter apenas remédios que sejam seguros, de acordo com a condição de saúde daquela pessoa. E só medicamentos para aliviar sintomas, como dor, até que a pessoa possa buscar atendimento médico.
Restos de medicamentos prescritos não devem ser guardados, principalmente, antibióticos. Também é necessário conferir a validade nas embalagens antes de usar e descartar medicamentos vencidos. O descarte deve ser feito de forma correta e segura, por isso, consulte sempre o farmacêutico mais próximo para orientações.
Conte com o farmacêutico
Sempre que tiver dúvidas em relação a um medicamento ou aos seus sintomas, o paciente pode buscar o atendimento de um farmacêutico. Este profissional está apto para recomendar o medicamento mais adequado; orientar quanto à forma de uso, riscos de automedicação, possíveis efeitos colaterais ou interações medicamentosas; verificar se os resultados do medicamento estão dentro do esperado; além de indicar a necessidade de atendimento médico.
A consulta farmacêutica pode acontecer no ambiente hospitalar e nas drogarias. Na APS, o farmacêutico faz parte da equipe multidisciplinar que acompanha todo o tratamento do paciente e pode orientá-lo sempre que necessário.
Esse conteúdo foi produzido por meio do convênio Saúde em Dia, uma parceria entre Copass Saúde e GNSS – Gerência de Saúde e Segurança do Trabalho da Copasa.