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A importância do médico de referência para a saúde da pessoa idosa

22/10/2024

O envelhecimento do paciente traz desafios específicos para o atendimento médico, especialmente na Atenção Primária à Saúde (APS). O médico de referência desempenha um papel central na coordenação do cuidado, garantindo que o atendimento seja próximo, amplo, personalizado e permanente.

A pessoa idosa precisa sentir-se segura e acolhida para manter um bom cuidado com a sua saúde. Para tanto, acompanhamento e sensibilidade não podem faltar. O Dr. Gustavo Nogueira Coelho, médico generalista da clínica de APS da Copass Saúde , em Divinópolis, destaca que o cuidado integral e contínuo proporcionado pelo médico de referência é essencial para a confiança e a adesão aos tratamentos, proporcionando mais tranquilidade e qualidade de vida aos pacientes idosos.

Diferenças no atendimento ao paciente jovem e ao idoso

Para o médico, a base do atendimento está na adaptação da comunicação. Tanto o paciente jovem quanto o idoso trazem questões relativas ao seu período de vida. Isso parece óbvio, mas muitos profissionais não ajustam a comunicação a essa realidade, tornando-a ineficaz.

O Dr. Gustavo ressalta que o idoso não deve ser tratado como um bebê, incapaz e dependente, mas como um ser adulto, que, pelo processo de envelhecimento, traz peculiaridades que precisam ser acolhidas no atendimento médico. As alterações fisiológicas e anatômicas decorrentes da idade exigem uma abordagem diferenciada durante o exame físico e a anamnese, através do diálogo com o paciente, para identificar as condições e os eventos do seu histórico de saúde que contribuam para um diagnóstico adequado.

É comum que o idoso apresente lentidão ao falar, repetição de informações e dificuldades de memória, sendo essencial respeitar o seu ritmo, evitando interrupções que possam prejudicar o raciocínio e a lembrança de detalhes relevantes. O médico precisa ter paciência e ajudar o idoso a recuperar ideias, principalmente considerando que a memória de longo prazo costuma ser mais preservada que as memórias recentes, como em quadros de demência senil.

O papel do médico de referência

Para o Dr. Gustavo, o médico de referência, seja o generalista, o clínico geral ou o médico de família, é fundamental para a coordenação de todo o cuidado do paciente. Quando o médico atende o paciente de forma integral, conhecendo a evolução do seu quadro clínico, cerca de 80 a 90% das questões de saúde desse paciente podem ser resolvidas sem a necessidade de encaminhamento para especialistas. Além disso, ele consegue direcionar melhor o tratamento, encaminhando o paciente para a especialidade mais indicada, quando necessário. Isso evita que o idoso e a sua família passem por um longo processo de consultas com vários especialistas, o que pode atrasar os diagnósticos e aumentar o quadro de polifarmácia, que é o uso simultâneo de vários medicamentos, com risco de interações medicamentosas, efeitos adversos ou complicações pelo uso excessivo.

O cuidado na APS

A coordenação do cuidado na APS, segundo o Dr. Gustavo, é baseada na longitudinalidade, ou seja, no acompanhamento contínuo, ao longo do tempo. A ficha clínica do paciente é organizada e constantemente atualizada com informações sobre seus atendimentos anteriores, medicações e tratamentos, o que facilita a tomada de decisões nas consultas subsequentes.

Isso vai além da figura do médico, caracterizando um atendimento de referência. O compartilhamento de informações e a união de esforços de toda a equipe multidisciplinar da APS, que inclui enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas e psicólogos, também é fundamental para que o atendimento seja integral e direcionado às necessidades específicas do paciente idoso.

O poder da relação de confiança

A construção de uma relação de confiança entre médico e paciente é outro ponto crucial destacado pelo Dr. Gustavo, que pode viabilizar ou não o cuidado adequado. Quando o idoso confia no médico, ele tende a seguir melhor as orientações, o que torna o tratamento mais eficaz. A busca pelo vínculo, o afeto e a capacidade de ouvir são elementos-chave para que o médico consiga estabelecer essa confiança.

Quando essa relação não é consolidada, é comum que o idoso passe a questionar as recomendações médicas, com tendência a se automedicar, confundir medicamentos e terapias, agir baseado em “achismos” e procurar especialistas em excesso e sem necessidade. Enfim, a boa relação entre o médico e paciente permite que o cuidado seja mais eficiente.

Empatia e envolvimento familiar

O Dr. Gustavo salienta que a empatia e o envolvimento da família são fatores determinantes no cuidado ao idoso. O médico precisa se colocar no lugar do paciente, tentando, assim, imaginar como ele se sente, diante de suas comorbidades e questões típicas do envelhecimento, e buscando compreender suas limitações físicas, cognitivas e emocionais para oferecer a melhor atenção possível. Só com essa empatia o médico poderá fornecer o cuidado adequado ao paciente idoso.

Além disso, a participação de um cuidador ou familiar dedicado, faz muita diferença, garantindo que o paciente siga as recomendações médicas e se lembre de informações relevantes, como a medicação utilizada e os hábitos diários. Quando há suporte familiar de qualidade, o cuidado torna-se mais efetivo e o paciente idoso tem mais chances de seguir os tratamentos de forma correta.

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