Cuidados essenciais para evitar o pé diabético
Toda pessoa com diabetes precisa ter atenção especial à saúde dos seus pés, que são um ponto frágil da doença e podem trazer complicações graves.
O pé diabético é uma condição desenvolvida por pessoas com diabetes não controlada, que envolve uma série de alterações nos nervos (neuropatias) e na circulação sanguínea, comprometendo, principalmente, a sensibilidade e a capacidade de cicatrização. Essas alterações aumentam o risco de infecções e feridas que, se não tratadas, podem levar à necessidade de amputação.
É importante saber que nem toda pessoa com diabetes vai desenvolver o problema, pois são as altas taxas de glicose no sangue, mantidas por longos períodos, que causam as alterações do pé diabético. Quando há um bom controle da glicemia, os nervos e vasos sanguíneos são preservados. Contudo, mesmo para quem não tem nenhuma neuropatia, a observação e os cuidados com os pés precisam fazer parte da rotina do paciente.
SINAIS DE ALERTA
No seu dia a dia, a pessoa com diabetes precisa ficar atenta a problemas comuns na região dos pés, pois uma lesão simples pode se complicar. Frieiras, rachaduras, cortes, calos, unhas encravadas, machucadinhos devem ser tratados rapidamente.
Já sintomas como perda da sensibilidade local, formigamento, dores, queimação nos pés e nas pernas, sensação de agulhadas, dormência e fraqueza nas pernas são sinais que indicam a presença de problemas do pé diabético.
RISCOS DA FALTA DE SENSIBILIDADE NOS PÉS
Para a enfermeira especialista em Saúde da Família e Comunidade, Keyla Ramos, da clínica de Atenção Primária à Saúde (APS), da Copass Saúde, em Contagem, a ausência de sensibilidade é o principal sintoma do pé diabético e um grande complicador.
A perda de sensibilidade faz com que a pessoa não sinta dor, o que dificulta a percepção do surgimento de pequenas lesões. Keyla explica que, nos pés, essa dificuldade é ainda maior do que em outras partes do corpo. “Se, por exemplo, uma pessoa com boa sensibilidade calça um sapato novo e ele começa a machucar, a dor faz com que ela tire o sapato rapidamente. Já quem não sente a dor, pode continuar usando o sapato sem perceber o machucado e aumentar a lesão. Além disso, a parte debaixo dos pés costuma ser pouco observada, o que aumenta o risco de feridas passarem despercebidas. Muitas vezes, o paciente só percebe quando a lesão já está mais avançada.”
A combinação da falta de sensibilidade com pouca observação e dificuldade de cicatrização pode agravar os ferimentos e causar infecções severas. Por isso é fundamental que a pessoa com diabetes faça a avaliação periódica dos pés.
A AVALIAÇÃO DOS PÉS NA APS
A avaliação periódica dos pés do paciente com diabetes é uma rotina de rastreamento essencial para evitar as complicações do pé diabético. Nas clínicas de Atenção Primária à Saúde (APS) da Copass Saúde, este atendimento é um direito do paciente, indicado para todos que tenham diabetes dos tipos 1 e 2, incluindo crianças, a partir do diagnóstico.
A avaliação é realizada pela equipe de enfermagem ou médico de Família e Comunidade. Segundo a enfermeira Keyla Ramos, o resultado da avaliação é que determina a periodicidade da reavaliação, que pode ocorrer a cada 1 ano, 6 meses, 3 meses ou até 2 meses, conforme a classificação dos riscos apresentados. “Felizmente, é mais comum que as avaliações ocorram anualmente”, afirma ela.
O QUE É AVALIADO
A consulta de avaliação dos pés é realizada em três etapas. Primeiro é feita a inspeção, para verificar o corte das unhas, a hidratação da pele e identificar se há rachaduras, micoses, frieiras, calos, unhas encravadas, ferimentos ou qualquer alteração. A segunda parte é a apalpação, que é o exame físico para avaliar a circulação sanguínea, pulsação, presença de edemas. E por último são feitos testes de sensibilidade ao toque e à dor.
A enfermeira salienta que o paciente recebe orientações para o cuidado, especialmente diante de qualquer achado, e a indicação de intervenção especializada, quando necessária.
PREVENÇÃO NO DIA A DIA
Além da avaliação periódica dos pés, cuidados na rotina são indispensáveis para manter a saúde dos pés da pessoa com diabetes. As práticas envolvem:
Observação – examinar os pés diariamente em local iluminado para verificar a existência de frieiras, cortes, calos, rachaduras, feridas ou alterações de cor. Uma dica é usar um espelho para ter uma visão completa e, para quem tem dificuldades, pedir a ajuda de alguém;
Higiene – manter os pés sempre limpos, lavar com sabão neutro e água morna, nunca quente, para evitar queimaduras. Secar bem, sem esfregar a pele, com toalha macia;
Hidratação – usar um bom hidratante nos pés, mas sem passar creme entre os dedos ou ao redor das unhas. A dica da enfermeira Keyla é fazer a hidratação dos pés, de preferência, antes de dormir, para evitar quedas;
Corte adequado das unhas – lavar e secar bem as unhas antes de cortá-las e usar um alicate apropriado ou uma tesoura de ponta arredondada. O corte deve ser quadrado, com as laterais levemente arredondadas, e sem tirar a cutícula. Recomenda-se dar preferência a um profissional treinado, como o podólogo, que deve ser avisado do diabetes;
Proteção – usar meias sem costura, de tecidos como algodão ou lã, evitando os sintéticos. Não andar descalço, inclusive na praia e piscina, não usar sapatos de bico fino, salto maior que 3 cm ou chinelos de tiras entre os dedos. Dar preferência para sapatos fechados, confortáveis, macios por dentro e com solados rígidos, que ofereçam firmeza;
Acompanhamento – fazer a avaliação dos pés, sempre na periodicidade indicada, e buscar atendimento ao perceber qualquer alteração.
CONTROLE ANTES DE TUDO
A enfermeira Keyla ressalta a importância de manter a glicemia controlada para reduzir, de forma significativa, os riscos de neuropatias. “O acompanhamento e a avaliação periódica vão permitir identificar de forma precoce qualquer alteração, mas o que previne mesmo o pé diabético é o bom controle da diabetes.”
Esse conteúdo foi produzido por meio do convênio Saúde em Dia, uma parceria entre Copass Saúde e GNSS – Gerência de Saúde e Segurança do Trabalho da Copasa.