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Alerta quanto aos riscos da meningite

11/03/2025

Uma doença causada por diversos agentes, que precisa de diagnóstico e tratamento rápido, mas, em grande parte, pode ser evitada com eficiência pelas vacinas.

A meningite é uma inflamação das meninges, membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal. É um processo causado pela presença de vírus, bactérias e outros microrganismos e até por reações a determinados medicamentos ou doenças autoimunes.

A doença pode acometer pessoas de qualquer idade, mas é mais frequente em crianças menores de cinco anos. Segundo o Dr. Eduardo Magalhães, pediatra do Neocenter, credenciado à Copass Saúde, a meningite é uma das emergências médicas mais importantes na área da pediatria porque, além de apresentar alta letalidade, pode gerar sequelas como surdez e cegueira.

A meningite requer atendimento ágil, pois o diagnóstico e intervenção precoces mudam o curso da doença, explica o médico. As lesões podem se agravar rapidamente, piorando o quadro. Quando mais se protela o tratamento, mais complicações.

PRINCIPAIS TIPOS DE MENINGITE

As meningites causadas por vírus e bactérias são as mais comuns. As virais são, em geral, mais brandas e deixam menos sequelas.  A maioria dos casos evolui sem grandes problemas e o tratamento exige medicação apenas sintomática.

Já as meningites bacterianas são mais graves e exigem atendimento imediato. Os principais grupos de bactérias causadoras da doença são os meningococospneumococos e haemophilus. O tratamento é feito com antibióticos e, felizmente, existem vacinas para combater esses grupos, afirma o médico.

Algumas medicações específicas, como em casos de quimioterapia, podem provocar a inflamação das meninges como efeito colateral, causando uma meningite química. Contudo, esses quadros são mais raros e menos graves que as meningites bacterianas.

SINTOMAS DA MENINGITE E SINAIS DE ALERTA

Os primeiros sintomas da meningite são muito parecidos com os de viroses comuns na infância, como uma gripe. De acordo com o Dr. Eduardo, os sinais que chamam a atenção para o diagnóstico da doença são vômitos, febre alta, dor de cabeça aguda e rigidez de nuca, que é uma dificuldade de flexionar o pescoço. Nos casos mais graves pode haver confusão mental e crises convulsivas, comuns nas primeiras 24 horas. Nos bebês, a moleira fica tensa e protusa e o sintoma mais evidente é a irritabilidade e o choro muito intenso, que não cessa com o acolhimento dos pais.

TRANSMISSÃO DA MENINGITE

Em geral, a transmissão se dá de maneira oral, através das vias respiratórias, por contato com gotículas e secreções do nariz e da garganta. O médico explica que muitas das bactérias causadoras da meningite habitam a nossa orofaringe e podemos transmiti-las através de contatos mais próximos. Também ocorre transmissão pela ingestão de água e alimentos e contato com fezes ou objetos contaminados.

Outro facilitador para a transmissão são as aglomerações de pessoas em ambientes fechados. No caso das bactérias, o contágio não é tão fácil como ocorre com os vírus da gripe, sarampo, covid, mas o cuidado vale para qualquer doença transmitida por via aérea.

De maneira geral, as meningites causadas por bactérias como as pode ser transmitidas e precisando, em alguns casos, até isolar o paciente. Também pode ser necessário fazer a quimioprofilaxia com as pessoas que tiveram contato mais próximo e direto com o doente, utilizando a medicação de forma preventiva para combater a bactéria antes que ela atinja as meninges.

A meningite tratada não confere imunidade ao paciente, que pode ser acometido novamente por outro dos diversos agentes causadores.

PREVENÇÃO DA MENINGITE

A vacinação é a principal forma de prevenção da meningite bacteriana, de suma importância para crianças e adolescentes, afirma o Dr. Eduardo.

 As vacinas são a única maneira de estimular precocemente o sistema imunológico dos bebês e crianças para reagir aos agentes que causam a meningite e, por isso, começam a ser aplicadas a partir do segundo mês de vida.

Além disso, as bactérias meningocócicas dos sorogrupos A, C, W e Y se manifestam, sobretudo, nos adolescentes. Daí a importância da vacinação para essa faixa etária.

As principais vacinas contra a meningite fazem parte do Calendário Nacional de Vacinação e são disponibilizadas gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Entre elas, há ainda a vacina BCG, que oferece proteção contra a meningite causada por tuberculose, muito importante no Brasil devido à alta incidência da doença.

A Copass Saúde também oferece cobertura adicional para vacinas contra a meningite, a partir de critérios específicos. Confira aqui as coberturas.

Para o pediatra, a principal recomendação é não esquecer do calendário vacinal das crianças, principalmente nos primeiros dois anos de vida, e dos adolescentes. “Passamos por um processo recente de ataques às vacinas que gerou um impacto muito grande na eficácia das imunizações. Mas, do ponto de vista prático, não há a menor dúvida de que a melhor arma que nós temos contra a meningite são as vacinas.”

OS RISCOS DA AUTOMEDICAÇÃO PARA OS CASOS DE MENINGITE

A automedicação é um grande problema vivenciado pela medicina, que afeta os quadros de diversas doenças infecciosas, incluindo as meningites, alerta o Dr. Eduardo Magalhães.
Os sintomas da doença podem ser mascarados, no início, pela automedicação. A utilização, pelos próprios pais, de remédios para febre, dor de cabeça, vômitos das crianças pode atrasar a busca por atendimento médico, permitindo que o processo inflamatório ganhe força e gere complicações importantes.
Outra questão é o uso indiscriminado e inadequado de antibióticos, que causa uma seleção natural de bactérias mais resistentes, reduzindo a eficácia da medicação. Quando uma pessoa usa antibiótico indevidamente ela pode eliminar do seu organismo bactérias boas e fortalecer outras que são perigosas. Isso faz com que sejam necessários medicamentos cada vez mais complexos para combater uma infecção. O médico afirma que é preciso ter muito critério tanto para a prescrição quanto para o uso de antibióticos, que devem ser ministrados conforme a orientação médica e somente diante de infecções comprovadamente bacterianas.

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