Vacina, diagnóstico e cuidado para a prevenção de quadros graves da dengue
As estratégias para evitar a doença ou o seu agravamento passam pela conscientização da população quanto à vacinação dos mais vulneráveis, a identificação precoce e o tratamento adequado.
O Brasil registrou, em 2024, o maior número de casos de dengue da história, com mais de 6,5 milhões de infecções e cerca de 6 mil mortes. Os números deixam um alerta para 2025. Em Minas Gerais, até 20 de janeiro, já foram registrados mais de 6.700 casos suspeitos e 2.123 casos confirmados da doença, segundo o boletim epidemiológico do governo estadual.
Uma das preocupações é o aumento dos casos causados pelo sorotipo 3 da dengue, que teve pouca circulação no país até então, o que significa baixa imunidade da população ao vírus. Mesmo não sendo a principal forma de controle da dengue, a vacina, que protege contra os quatro sorotipos da doença, tem papel importante na prevenção e precisa alcançar, pelo menos, os grupos de maior risco.
A VACINA CONTRA A DENGUE
Aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a vacina Qdenga pode ser aplicada em indivíduos de 4 a 59 anos, independentemente da exposição anterior à doença. São duas doses, com intervalo de 90 dias. Imunossuprimidos ou pessoas que tiveram covid recente devem buscar orientação médica para avaliar os riscos.
A vacina é disponibilizada pelo SUS à faixa etária de 10 a 14 anos, selecionada por concentrar o maior número de hospitalização por dengue, depois de pessoas idosas, para as quais o imunizante não é indicado. A limitação do público-alvo se deve à baixa capacidade de produção mundial da vacina e pode variar em cada localidade do país, de acordo com a demanda e a disponibilidade de doses. Mesmo assim, as metas de vacinação do Ministério da Saúde não têm sido alcançadas.
A enfermeira Naiara Martins Santos, da clínica própria da Copass para Atenção Primária à Saúde (APS), em Belo Horizonte, acredita que um dos motivos pela queda na adesão às vacinas é a falta de entendimento sobre a real função da imunização, que é evitar os quadros graves da doença. “Em casos de infecção pelo vírus, a resposta imunológica provocada pela vacina no organismo garante que os sintomas não apareçam ou sejam bem mais brandos.”
Outro motivo para a não vacinação é o medo de reações, diz a enfermeira. Contudo, segundo ela, são poucos os casos e os mais relatados se limitam a dor e/ou vermelhidão no local da aplicação, dor de cabeça ou muscular, mal-estar e febre, que duram de um a três dias. Essas reações são esperadas e a recomendação é usar compressas no local da aplicação, analgésicos e hidratação.
DIAGNÓSTICO ADEQUADO
Além dos cuidados preventivos como a vacinação, uso de repelentes e das medidas contra a proliferação do mosquito transmissor, o diagnóstico adequado da doença também é fundamental para evitar a sua evolução para complicações graves. A enfermeira Naiara explica que as formas de diagnosticar a dengue variam conforme a situação.
O teste de antígeno NS1 é sensível para a identificação do vírus no início da infecção, permitindo o diagnóstico precoce, mas pode dar falso-positivo. Há também o teste rápido do NS1, disponível em farmácias e serviços de saúde autorizados e com resultado em 20 minutos. Já o teste molecular (RT-PCR) é altamente sensível e mais preciso, reconhecendo o vírus da dengue e o seu sorotipo. Tanto o teste NS1 quanto o RT-PCR devem ser realizados do 1º ao 5º dia dos sintomas. A partir do 6º dia até o 14º dia dos sintomas, é indicado o teste de sorologia, que identifica os anticorpos produzidos pelo organismo para combate ao vírus da dengue.
SINTOMAS E TRATAMENTO CONTRA A DENGUE
Os sintomas da dengue mais comuns são febre que aumenta subitamente, entre 39ºC e 40ºC, dor de cabeça e no fundo dos olhos, manchas vermelhas na pele, mal-estar geral e dor no corpo. Já os sinais de alarme são sangramentos nas gengivas, nariz ou olhos, vômito persistente, urina com sangue, agitação, confusão mental, pele úmida e pegajosa, pressão baixa. Nesses casos, é importante procurar atendimento médico com urgência.
A enfermeira chama a atenção para o risco do uso de anti-inflamatórios. “Quando começa uma dor no corpo, muitas pessoas têm o hábito de tomar, por conta própria, anti-inflamatórios como a nimesulida. Esses medicamentos abaixam a quantidade de plaquetas no organismo, aumentando o risco de evolução da infecção para dengue hemorrágica, que é muito mais grave.
É bom procurar atendimento médico diante de qualquer sintoma da dengue para que seja feito o diagnóstico e acompanhamento do quadro, hidratação adequada e exame das plaquetas para evitar o agravamento da doença.
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