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O pé diabético: a importância dos cuidados diários

14/11/2024

A diabetes é uma doença sistêmica, o que significa que ela pode, quando não controlada, afetar múltiplos órgãos e tecidos do corpo. Entre eles, os pés, que merecem atenção especial porque podem ser acometidos por graves complicações.

O pé diabético é uma série de alterações que podem ocorrer nos pés de pessoas com diabetes não controlado. Com o tempo, o organismo desenvolve uma neuropatia periférica, que reduz a sensibilidade da pele e dos nervos das extremidades. Os membros, principalmente os pés, vão ficando com circulação comprometida, provocando o surgimento de feridas que não cicatrizam e infecções. Se não for tratado, o pé diabético pode levar à amputação. Estima-se que até 80% das pessoas com diabetes podem desenvolver essa condição, especialmente quando o controle da doença é inadequado.

De acordo com Viviane Ramos Mendes, enfermeira, especialista em Saúde da Família e Gestão em Saúde, responsável técnica pela clínica de Atenção Primária à Saúde da Copass, em Brumadinho, medidas simples podem evitar grandes problemas. Só que muitos pacientes não sabem dos riscos, da importância da avaliação periódica dos pés e dos cuidados que devem ter cotidianamente.

A AVALIAÇÃO DOS PÉS É UM BENEFÍCIO E UM DIREITO DO PACIENTE

O paciente diabético pode vir a ter o pé diabético ou não. Por isso, é preciso que ele tenha consciência da necessidade de prevenção de complicações da doença. Segundo Viviane, a avaliação dos pés realizada na Atenção Primária à Saúde (APS) é essencial para evitar que essas complicações aconteçam.

Essa avaliação periódica, é um procedimento que o paciente tem direito e que pode lhe trazer muitos benefícios. No entanto, no dia a dia do atendimento, percebe-se que muitos desconhecem a sua importância e outros nem aceitam que ela seja feita, demonstrando certa resistência, como se fosse um procedimento desnecessário, diz a enfermeira.

Também é comum que o paciente não saiba dos cuidados que devia ter com os pés e passe pela avaliação somente quando já apresenta feridas antigas que não cicatrizam e um grau de risco maior para complicações severas, como a amputação.

O beneficiário Divino Antônio da Costa, 61 anos, faz controle da diabetes desde 2013, mas não sabia que existia a prática da avaliação dos pés, nem dos cuidados que precisava ter. “Fiz a avaliação aqui na clínica, esse ano, pela primeira vez. Fizeram testes, analisaram tudo e fui bem orientado. Agora eu cuido dos meus pés com mais conhecimento e quando acontece qualquer coisa eu venho aqui para tratar do jeito certo. Meu compromisso é com a minha saúde”, afirma.

COMO É FEITA A AVALIAÇÃO DOS PÉS DIABÉTICOS

Na APS, todo paciente diabético dos tipos 1 e 2, mesmo as crianças, deve passar pela avaliação dos pés, feita por um profissional de enfermagem. É preciso avaliar e orientar quanto às condições da pele, se há alguma ferida, se o corte da unha está adequado, além do tipo de calçado e a rotina para lavar, secar e hidratar os pés. Também são feitos testes para avaliar a sensibilidade e a circulação sanguínea.

Nessa avaliação é classificado o risco de desenvolvimento de complicações do paciente e definida a periodicidade indicada para sua reavaliação. Quando a doença está controlada e não há complicações, a avaliação deve ser realizada anualmente, conforme orientações do Ministério da Saúde. Quando o paciente apresenta riscos maiores, a periodicidade vai aumentando, conforme a sua condição.

A enfermeira Viviane ressalta que o paciente diabético deve sempre fazer a reavaliação dos pés de acordo com a periodicidade recomendada, que pode ser diferente do período de retorno ao médico para acompanhamento de rotina.

SINAIS

No dia a dia do paciente diabético é preciso estar atento aos sinais de problemas nos pés, como frieiras, rachaduras, cortes, calos, unhas encravadas, feridas, principalmente, que não doem ou demoram muito a cicatrizar. Tanto a ausência de dor quanto a dor excessiva precisa de atenção, alerta Viviane.

Outros sintomas são, a queimação nos pés, tornozelos ou pernas, formigamento, dormência, sensação de agulhadas, fraqueza nas pernas. A perda da sensibilidade é o problema mais comum, que pode fazer com que feridas não sejam percebidas.

A ferida que não cicatriza já é um sintoma tardio, explica a enfermeira. Quando ela aparece, geralmente, o paciente já apresenta outros sinais, como a falta de sensibilidade. O ideal é buscar atendimento antes do surgimento de feridas para poder evitá-las.

ATENÇÃO PERMANENTE

Se o paciente perceber algum sinal ou desconforto antes do período de retorno para reavaliação dos pés, é fundamental buscar o atendimento na clínica que o acompanha, para que sejam feitos os exames e tratamentos necessários e avaliada a necessidade de encaminhamento para um especialista.

“A atuação do paciente diabético é o que mais conta para a preservação da sua saúde. É um pacote de ações”, conclui a enfermeira Viviane. Não adianta só manter o bom controle da glicemia e a atenção com os pés. É preciso cuidar do estresse, do peso adequado, da alimentação, da atividade física e de outras comorbidades, como a pressão alta. Tudo vai interferir no risco de complicações e na recuperação do paciente. Além disso, especialmente para os idosos, o apoio da família é fundamental.

CUIDADOS COM OS PÉS NO DIA A DIA:

– Examinar os pés diariamente, em local bem iluminado, para verificar a existência de frieiras, cortes, calos, rachaduras, feridas, alterações de cor e temperatura da pele. Se for um idoso, é importante contar com a ajuda de alguém para fazer essa avaliação;

– Manter os pés sempre limpos, lavar com água morna (nem muito quente, nem muito fria) e sabonete neutro. Secar bem como uma toalha macia, principalmente entre os dedos, mas sem esfregar muito para não agredir a pele;

– Usar hidratantes, mas sem passar creme entre os dedos ou ao redor das unhas;   Usar meias sem costura e de tecidos mais leves, como algodão ou lã e evitar tecidos sintéticos, como nylon;

– Antes de cortar as unhas, lavá-las e secá-las bem. Usar um alicate apropriado ou tesoura de ponta arredondada. O corte deve ser reto, com as laterais levemente arredondadas, e sem tirar a cutícula. É recomendável, principalmente para pacientes idosos, evitar manicures e preferir podólogos, informando ao profissional quanto à diabetes;

– Não andar descalço e manter os pés sempre protegidos, inclusive na praia e na piscina, não usar sapatos de bico fino, salto alto ou chinelos de tiras entre os dedos. Dar preferência para sapatos fechados, confortáveis, macios por dentro e com solados rígidos, que ofereçam firmeza;

– Fazer a avaliação dos pés e a reavaliação periodicamente, conforme indicado.  

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