Saúde ocular: os riscos de não perceber o glaucoma
Doença silenciosa e principal causa de cegueira irreversível no mundo, o glaucoma foi o tema da palestra online oferecida pela Copass Saúde aos seus beneficiários, em comemoração ao Dia da Saúde Ocular (10/07).
A palestrante, Dra. Clarice Dayrell, oftalmologista, vice-diretora clínica e coordenadora do programa de especialização médica do Centro Oftalmológico de MG, explicou que “hoje, um diagnóstico de glaucoma não é, de forma alguma, uma sentença de cegueira. A doença não tem cura, mas pode ser controlada para não evoluir. Com diagnóstico e tratamento precoces, o paciente não vai ficar cego.”
O GLAUCOMA
É uma doença crônica, complexa e multifatorial que afeta o nervo óptico, levando à perda gradual e irreversível da visão, quando não controlada.
Para explicar como age a doença, a oftalmologista faz uma analogia da visão com um sistema elétrico: o olho funciona como um interruptor e o cérebro, onde é interpretada a visão, é a lâmpada. O nervo óptico, composto por mais de um milhão de fibras nervosas, são os fios de cobre que fazem a conexão entre os dois, permitindo que a lâmpada acenda. O glaucoma age como um ladrão de fios de cobre, que atua lentamente até romper essa conexão.
O principal fator de risco para a progressão da doença é o aumento da pressão intraocular, que pode causar danos permanentes no nervo óptico. Contudo, existem vários tipos de glaucoma e a pressão intraocular alta só leva à doença quando lesiona o nervo ótico.
PROGRESSÃO SILENCIOSA
O maior fator complicador do glaucoma é a ausência de sintomas. A perda visual inicia-se pela periferia, avançando lentamente para o centro, o que faz com que a pessoa não perceba que está enxergando menos.
Os sintomas só aparecem quando a doença está em estágio avançado ou se ocorrer uma crise aguda de glaucoma, caracterizada pelo aumento muito grande e repentino da pressão intraocular. Nesses casos, pode haver dor de cabeça, dor ou desconforto ocular, halos ao redor das luzes, vômito, enjoo, visão embaçada, sensibilidade à luz e dificuldade de adaptação no escuro.
IMPORTÂNCIA DO DIAGNÓSTICO PRECOCE
Em geral, quando a pessoa percebe algum sinal do glaucoma, boa parte da visão já está perdida de forma irreversível. O diagnóstico precoce é fundamental para controlar a progressão da doença e a perda da visão, melhorar a qualidade de vida e reduzir os custos do tratamento.
Somente na consulta oftalmológica, que deve ser anual, é possível identificar o glaucoma. São feitos exames como a tonometria, para medir a pressão intraocular, exame de fundo de olho para avaliar o nervo óptico e da pressão intraocular, e teste do campo visual, para detectar a presença de manchas. Em caso de qualquer suspeita, outros exames são realizados para comprovar a doença.
PRINCIPAIS FATORES DE RISCO
- Aumento da pressão intraocular;
- Idade acima de 40 anos;
- Raça negra (quatro vezes mais chances de ter a doença e iniciar mais cedo);
- História familiar (nove vezes mais chances para quem tem parentes de primeiro grau com glaucoma);
- Problemas circulatórios e miopia;
- Diabetes. Problemas vasculares, relacionados ao tempo e ao controle da doença, aumentam os riscos e dificultam o tratamento. O acompanhamento oftalmológico deve ser rigoroso.
A médica faz um alerta para a necessidade de acompanhamento de quem tem apneia do sono grave e não trata, pois há risco de desenvolver um tipo de glaucoma em que a pressão do olho é normal.
GLAUCOMA E CORTICÓIDES
O uso excessivo de corticoides pode aumentar muito a pressão intraocular. Por isso, eles devem ser usados apenas no período indicado pelo médico. O colírio que tem corticoide, muito usado para inflamações, alergias, infecções e no pós-operatório, deve ser utilizado apenas no período prescrito pelo médico. O corticoide nasal também oferece risco e o corticoide oral ou injetável aumentam tanto a pressão do olho quanto o risco de catarata precoce. Se há necessidade de uso contínuo de corticoide é importante consultar o oftalmologista.
COMO TRATAR
O objetivo do tratamento é estabilizar a pressão intraocular para evitar que o problema avance. Os métodos mais utilizados são a laserterapia e colírio anti-hipertensivo. O uso do laser, muitas vezes, pode evitar ou adiar a necessidade do uso de colírios. Existem ainda diversos tipos de cirurgias para o controle do glaucoma.
O acompanhamento é fundamental. Pacientes com glaucoma leve ou suspeita devem fazer exames uma vez por ano. Pacientes com risco maior ou glaucoma moderado precisam ser avaliados a cada seis meses e, no estágio avançado, a cada três ou quatro meses.
PREVENÇÃO
Fazer o exame oftalmológico periodicamente e conhecer o histórico familiar são a melhor forma de avaliar os riscos do glaucoma e evitá-lo. A partir de um ano de idade, a consulta deve ser realizada anualmente ou conforme orientação médica.
Também é essencial manter um estilo de vida saudável, principalmente com atividade física regular, que ajuda a controlar a pressão intraocular.